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A Relação da Obra de Friedrich Nietzsche com o Filme Muito Além do Jardim, do Diretor Hal Ashby
Artigo em Homenagem ao ator Peter Sellers que está semana estaria fazendo aniversário

Marcelo Kricheldorf

Friedrich Nietzsche é um dos filósofos mais influentes da história, conhecido por suas ideias revolucionárias sobre a existência, a moralidade e a arte. Seu pensamento tem inspirado muitos artistas, escritores e cineastas ao longo dos anos. Um exemplo interessante da influência de Nietzsche no cinema é o filme Muito Além do Jardim (Being There), dirigido por Hal Ashby em 1979.
Muito Além do Jardim é um filme que conta a história de Chance, um jardineiro simples e ingênuo que é obrigado a deixar a casa onde viveu toda a vida. Sem saber o que fazer, Chance se torna um conselheiro do presidente dos Estados Unidos e se envolve em uma série de eventos políticos e sociais. O filme é uma crítica à sociedade americana da época e à forma como as pessoas se relacionam com o poder e a autoridade.
A relação entre a obra de Nietzsche e o filme Muito Além do Jardim é evidente em várias áreas. Uma das principais influências de Nietzsche no filme é a ideia do “Übermensch” (ou “Super-Homem”), que é apresentada em sua obra Assim Falou Zaratustra. O Übermensch é um ser que transcende as limitações da moralidade e da sociedade, criando seus próprios valores e vivendo de acordo com sua própria vontade. Chance, o personagem principal do filme, pode ser visto como um exemplo de Übermensch. Ele é um ser simples e ingênuo que não é influenciado pelas convenções sociais e morais. Ele age de acordo com sua própria vontade e cria seus próprios valores, o que o torna uma figura de autoridade e respeito para as pessoas ao seu redor.

Outra influência de Nietzsche no filme é a ideia da “Vontade de Poder“. Segundo Nietzsche, a Vontade de Poder é a força que impulsiona os seres humanos a criar e a se superar. No filme, Chance é um exemplo de Vontade de Poder, pois ele não se deixa limitar pelas convenções sociais e morais, e cria seu próprio caminho na vida. Além disso, o filme também explora a ideia da “Morte de Deus”, que é um conceito central na filosofia de Nietzsche. A Morte de Deus se refere à perda da fé e da crença em uma autoridade superior. No filme, Chance é um exemplo de alguém que não tem fé em uma autoridade superior, e que cria seu próprio sentido de propósito e significado na vida. Outro aspecto que se faz presente no filme da obra de Nietzsche no filme, refere-se ao conceito de verdade absoluta. Para Nietzsche, a verdade absoluta é uma ilusão, uma construção humana que serve para justificar e legitimar as crenças e valores de uma sociedade. Ele argumenta que a verdade é sempre relativa e dependente do contexto, e que não há uma verdade objetiva e absoluta.
No filme, o personagem Chance (Peter Sellers) é um exemplo de como a verdade pode ser relativa e dependente do contexto. Ele não tem conhecimento prévio sobre política ou economia, mas suas respostas simples e diretas são interpretadas como profundas e sábias.Tudo depende da perspectiva, onde os fatos são interpretados como verdadeira pelos outros personagens do filme. Isso mostra como a verdade pode ser construída e interpretada de acordo com as necessidades e crenças de uma sociedade.
Por fim, o filme Muito Além do Jardim é uma obra que reflete a influência da filosofia de Friedrich Nietzsche. O filme é um exemplo de como a filosofia de Nietzsche pode ser aplicada à arte e à cultura, e de como ela pode inspirar novas perspectivas e ideias. Uma obra prima.

Ficha técnica

Informações Gerais

  • Título Original: Being There
  • Título em Português: Muito Além do Jardim
  • Diretor: Hal Ashby
  • Ano de Lançamento: 1979 (originalmente lançado em 1979, mas algumas fontes citam 1978)
  • País: EUA
  • Gênero: Comédia, Drama, Comédia dramática, Política
  • Duração: 130 minutos

Elenco Principal

  • Peter Sellers como Chance
  • Shirley MacLaine como Eve Rand
  • Melvyn Douglas como Benjamin Rand
  • Jack Warden como Presidente

Equipe Técnica

  • Roteiro: Jerzy Kosinski (baseado em seu próprio romance)
  • Cinematografia: Caleb Deschanel
  • Trilha Sonora: Johnny Mandel
  • Montagem: Don Zimmerman

Prêmios e Reconhecimento

  • Oscar: Melhor Ator Coadjuvante (Melvyn Douglas)
  • Globo de Ouro: Melhor Ator – Comédia ou Musical (Peter Sellers), Melhor Ator Coadjuvante (Melvyn Douglas)

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