POLTRONA 6 | WANDINHA 2 ª TEMPORADA

André Azenha

A segunda temporada de Wandinha (Wednesday) chegou em duas partes e provou que a série não vive apenas do meme da dança. Mais sombria e ambiciosa, expande a mitologia dos Addams sem perder o humor ácido que conquistou o público. Na Parte 1, acompanhamos o retorno de Wandinha a Nevermore após um verão estudando o Livro das Sombras de Goody e tentando domar visões que surgem acompanhadas de lágrimas negras. O novo diretor Barry Dort (Steve Buscemi) convoca Mortícia (Catherine Zeta Jones) para arrecadações, Pugsley (Issac Ordonez) ingressa ainda descobrindo sua eletricidade estática, e a protagonista, agora celebridade, precisa lidar com um perseguidor e um presságio que ameaça diretamente Enid (Emma Myers). Entre aulas e pistas do passado de Jericho, o mistério se reposiciona e a tensão mãe-filha ganha novos contornos, revelando segredos da linhagem Addams e o peso de enxergar o futuro sem compreender totalmente suas sombras. Na Parte 2, a trama se expande e abraça o espetáculo com Lady Gaga em participação especial, música inédita e um baile delirante; promove a troca de corpos entre Wandinha e Enid em um episódio inspirado e traz ecos da diretora Weems enquanto a escola enfrenta novos perigos. Entre as novidades está Agnes DeMille (Evie Templeton), a ruivinha excêntrica obcecada por Wandinha, que registra cada gesto da colega como fã devota. Dotada do poder de invisibilidade, Agnes adiciona humor e desconforto, servindo como alívio cômico e espelho da devoção que a personagem desperta no público. Novos rivais, alianças instáveis e poderes que cobram pedágio emocional entram em cena, mas o coração segue nos personagens. A amizade Wandinha-Enid amadurece, ora rachada por segredos, ora fortalecida por escolhas difíceis. Jenna Ortega está hipnótica; Emma Myers, o contrapeso luminoso. Quando estão juntas, a série dispara. Visualmente, Wandinha permanece irretocável: cenários detalhados, fotografia de contrastes afiados e efeitos a serviço da narrativa. Tim Burton garante coesão estética sem abafar a história. Se a Parte 1 recoloca a bússola, a Parte 2 eleva a aposta e entrega clímax emocional, humor sombrio e ritmo seguro. Mais madura, mais sombria e mais humana, a temporada fecha um ciclo poderoso e abre caminho para a terceira.

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