Andre Azenha

O filme dirigido por Ryan Coogler, foi um dos grandes destaques do último ano. Não à toa figurou nas principais listas de melhores filmes de 2025. Foi o meu filme favorito do ano. É envolvente, emocionante, poderoso e conduzido com segurança narrativa que poucas produções recentes alcançaram. A repercussão se confirmou nas premiações. Pecadores (Sinners) entrou para a história como o filme com mais indicações ao Oscar, em 16 categorias — um recorde absoluto. No BAFTA, recebeu 13 indicações e se tornou o longa dirigido por um cineasta negro com mais vitórias na história da cerimônia (três), superando 12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave). No Actor Awards (ex SAG), o elenco e Michael B. Jordan também foram reconhecidos. Mas o mérito de Pecadores vai além dos números. O longa representa algo raro no cinema atual: tem alta qualidade artística e, ao mesmo tempo, consegue dialogar com um público muito amplo. Hoje o mercado vive dois polos — grandes superproduções que atraem multidões, mas muitas vezes superficiais e repetitivas (basta ver a queda de público nos filmes de super-heróis), e obras artisticamente fortes que acabam restritas a nichos – o que não sustenta a existência das salas de exibição. Coogler encontra o equilíbrio que o cinema precisa: um filme forte, bem construído, profundo, emocionante e feito para ser visto e discutido por muita gente. E é justamente por isso que Pecadores precisa ir bem no Oscar. Porque mostra que é possível fazer cinema de qualidade, com ambição, força e profundidade, sem perder a conexão com o público. É o tipo de obra que ajuda a manter viva a experiência coletiva das salas de cinema e que reforça a importância da arte como algo acessível, relevante e capaz de mobilizar as pessoas. Se não for esse o caminho, o cinema como amamos logo deixará de existir e virará algo parecido com os clubes de jazz nos EUA (algo para devotos).