André Azenha

Baseado no livro de Andy Weir, o mesmo autor de Perdido em Marte (The Martian), que virou um sucesso com Matt Damon, Devoradores de Estrelas (Project Hail Mary) é ambicioso, sensível, emocionante, gostoso de ver e já é um dos melhores filmes de 2026 – quiçá o melhor. Por trás das câmeras, estão os mesmos criadores e roteirista da excelente franquia Aranhaverso: Chris Miller e Phill Lord, que aqui assumem a direção. Ryland Grace, vivido por Ryan Gosling, é um cientista que acorda sozinho em uma nave, sem memória, encarregado de salvar a humanidade. A trama mistura elementos de Interestelar, Ad Astra e do próprio Perdido em Marte. E vale lembrar que Gosling viveu o verifico astronauta Neil Armstrong em O Primeiro Homem (First Man). Carismático, ele segura o filme ao viver um personagem cheio de dúvidas, medo e ironia diante do desconhecido. O humor aparece com naturalidade e ajuda a equilibrar a tensão da missão. Ao lado dele, brilha o alienígena, que parece uma rocha e é apelidado The Rock, dublado por James Ortiz. Mesmo sem expressões tradicionais, é igualmente carismático. A relação entre os dois é o eixo da história. Completa o elenco principal Sandra Hüller, que faz a líder da missão científica e que fica na Terra. A narrativa fala sobre solidão, mas ganha força quando entra em cena a empatia. O encontro com o diferente transforma os dois protagonistas nessa jornada de sacrifício e cooperação. É tudo tão bem feito que mal sentimos as duas horas e quarenta de duração. Um espetáculo pensado para a tela grande, envolvente, com bom uso de humor, tensão e momentos contemplativos.