ENSAIO | MUMIAS NO CINEMA

Adilson Santos

Sempre houve um inegável fascínio pela cultura do antigo Egito. O arqueólogo francês Pierre Montet começou a escavar a necrópole real em Tanis, no Delta do Nilo, ainda antes da Segunda  guerra. Embora os achados principais e a divulgação tenham ocorrido durante e após a guerra, a descoberta da tumba de Psusennes I, que rivaliza com a de Tutancâmon em 1922, começou nessa mesma época.  O cinema logo se apropriou do misticismo em torno deste para mexer com a imaginação do público, sendo a Universal a primeira a explorar o nicho iniciando uma franquia que vem até hoje.

Primeira Serie (1932/1955). Depois do sucesso de Dracula e Frankenstein, a Universal fez A Mumia (1932) trazendo o icônico Boris Karloff como o sumo sacerdote Imhotepp. Foi um sucesso seguido de mais 4 filmes mudando para a múmia de Kharis vivida por Tom Tyler (A Mão da Mumia, 1940) e Lon Chaney Jr nos filmes seguintes: A Tumba da Múmia (1942), A Sombra da Múmia (1944) e  A Maldição da Múmia (1944). O ciclo se encerrou com a paródia Abbot & Costelo Conhecem a Múmia (1955) com Eddie Parker.

Segunda Serie (1959/1971). Quando a produtora inglesa Hammer começou a refilmar as obras de terror da Universal, decidiu fazer diferente do estúdio americano e preferiu fazer cada filme da franquia A Mumia um filme independente, sem conexões com os anteriores, a cada um com uma Múmia diferente. O problema é que o nível das histórias e das produções foram caindo gramaticalmente. Assim.,  depois do excelente A Mumia (1959l estrelado por Christopher Lee como Kharis e Peter Cushing como o arqueólogo e antagonista do monstro, vieram A Maldição da Tumba da Múmia (The Curse of the Mummy’s Tomb, 1964), A Mortalha da Mumia (The Mummy’s Shroud, 1967) e Sangue no Sarcófago da Mummia (Blood from The Mummy’s Grave 1971). Entre as sequências, o melhor fica sendo o último com destaque para a beleza da atriz Valerie Leon, a primeira intérprete do monstro a acrescentar sensualidade ao papel.

Terceira Serie (1999/2008). Em 1999 a Universal reiniciou tudo transformando A Mumia em uma variação da aventura estilo Índiana Jones com Brendan Fraser interpretando o mercenário Rick O’Connel, que se junta a uma expedição à cidade perdida de Hamunaptra onde inadvertidamente é despertado a mumia do sacerdote Imhotep (Arnold Vosloo) que vê na bela arqueólogo Eve ( Rachel Weisz) uma forma de trazer de volta sua amada a princesa Anck-Su-Namun (Patrícia Velazquez).  O filme seria a principio um filme de terror bem pesado roteirizado por Clive Barker, o criador de Hellraiser, mas a Universal optou por um tom mais leve. O resultado foram as sequencias O Retorno da Mumia (The Mummy’s Return 2001) e A Mumia – A Tumba do Imperador Dragão (The Mummy – The Dragon Emperor’s Tomb, 2008), que deslocou a ação do Egito para a China – que nunca teve a prática da mumificação. Um quarto filme está sendo planejado com o elenco original para 2028.

Dark Universe (2017). A Universal tentou reinventar sua franquia de monstros criando um universo compartilhado no estilo dos filmes da Marvel escolhendo um reinício com A Múmia (2017) estrelado por Tom Cruise. A ideia era a principio boa com Sofia Boutela no papel da princesa Ahmanet, mas os exageros do roteiro colocaram o filme como uma variação da franquia Missão Impossível, o que não funciona, parecendo forçada a aparição do Dr. Jekyl (Russel Crowe).

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