Andre Azenha

Ficou um pouco longo, mas não poderia ser diferente. A cinebiografia Michael, recém-lançada, chega cercada de expectativa natural. Trata-se da história do maior fenômeno individual da música pop. Nenhum artista alcançou exatamente o que Michael Jackson alcançou em escala global. Elvis Presley e Beatles foram gigantes culturais, mas Michael dominou simultaneamente música, moda, dança, televisão, videoclipes e comportamento em praticamente todos os continentes. Talvez aí esteja o principal problema — e também o limite — de filmes como este. Assim como aconteceu em Bohemian Rhapsody, dos mesmos produtores, ou em Elvis, condensar vidas tão vastas em pouco mais de duas horas quase sempre gera simplificações. No caso de Michael, isso se torna ainda mais evidente. Há tanta história que o longa inevitavelmente seleciona, resume e deixa muita coisa importante de fora. Tecnicamente, porém, o filme acerta e não poderia ser diferente. O desenho de som é poderoso: cada instrumento parece pulsar na sala de cinema. A recriação de época é muito legal, os números musicais têm energia e a direção conduz tudo com profissionalismo. Antoine Fuqua é experiente e sabe lidar com cinema popular de grande alcance.
O maior acerto está em Jaafar Jackson. Filho de Jermaine Jackson, ele reproduz gestos, olhares, postura corporal e movimentos do tio de forma impressionante. Em vários momentos, o ator desaparece e surge o personagem. Aconteceu com Jamie Foxx em Ray e com Marion Cotillard em Piaf – Um Hino ao Amor. Em comparação, Rami Malek em Bohemian Rhapsody sempre pareceu mais uma imitação estilizada usando prótese bizarra na boca. Ainda assim, a maquiagem em Jaafar às vezes incomoda, especialmente em certos ângulos. Em outros, funciona plenamente.