Agatha Santos e Adilson Santos

Chegou à HBOMAX a nova versão de O Morro dos Ventos Uivantes (Wuthering Heights) realizada pela diretora e roteirista Emerald Fennell (Salturn). Muito esperada pelo fãs do livro de Emily Bronté (1818-1848), o filme conta a trágica história de amor entre Catherine Earnshaw (Margot Robbie) e Heathcliff (Jacob Elordi) ambientada nos charcos ingleses do século XIX. O filme decepciona profundamente quem leu o livro, sendo uma romantização excessiva da história, que tal qual na obra original, é muito mais complexa e descreve um relacionamento tóxico. É compreensível que toda adaptação traga mudanças, mas nesse caso, as alterações chegam a distorcer a essência dos personagens e da narrativa. Algumas atitudes apresentadas não condizem com o comportamento original dos mesmos, sendo claramente inseridas para vitimizá-los e suavizar suas falhas; como, por exemplo, o início do filme quando a versão jovem da Cathy conhece a a versão jovem de Heathcliff (Owen Cooper, de Adolescência), e estabelece prematuramente a relação de dependência emocional como uma justificativa para os fatos que se desenrolarão no futuro. Outro ponto é a escolha do elenco, que no caso de Heathcliff é descrito no livro como um mestiço de origem cigana, sendo essa característica completamente ignorada, o que fortalece que se trata de uma releitura mais que uma adaptação. Além disso, o filme exagera nas cenas eróticas, priorizando mais os momentos sensuais do que a construção psicológica do casal central. Há também a presença de elementos fetichistas, que pesam desnecessariamente uma história que é maior e não se resume a relações sexuais. Claro, que tal escolha narrativa se justifica para agradar a geração jovem que acompanha tramas como Euphoria. Apesar das críticas, é justo reconhecer os pontos positivos: a atuação do elenco é competente, e o trabalho com cenários e figurinos é bem executado, contribuindo para a ambientação. Ainda assim, esses aspectos não são suficientes para compensar as falhas da adaptação, mas para lamentar que a história de Emily Bronte merecia algo melhor.