CLÁSSICO NACIONAL | A ÓPERA DO MALANDRO

Adilson Santos

Há cerca de 41 anos A Ópera do Malandro chegou aos cinemas com grande estilo, resultado do trabalho esmerado do diretor Ruy Guerra, hoje aos 94 anos. Adaptação cinematográfica do musical de Chico Buarque de Holanda, que por sua vez foi inspirada no clássico de John Gay e no musical A Ópera dos Três Vinténs, de Bertolt Brecht e Kurt Weill. A narrativa da obra de Chico nos leva ao Rio dos anos 40, uma versão romantizada da boa malandragem, mas também da prostituição, da violência e da ilegalidade reunindo em cena os talentos de Ruy Guerra, Chico Buarque, Orlando Senna, co-autor do roteiro, Regina Miranda, coreógrafa, de Antônio Luís Mendes, diretor de fotografia e trazendo no elenco Edson Celulari, Cláudia Ohana, Elba Ramalho, Nei Latorraca e Fábio Sabag. Na história, nos anos 40, Max (Celulari) é um malandro elegante, além de uma popular figura do boêmio bairro carioca da Lapa. onde vive de trambiques até que surge Ludmila (Ohana), a filha do dono do cabaré, que pretende tirar proveito da Segunda Guerra fazendo contrabando. Ruy Guerra reproduz com fidelidade a tensão política e social no País, a atmosfera de escroques cariocas glamurizados com números de canto e dança tal qual a Hollywood clássica do período. O filme começa, aliás, com a projeção de velhos êxitos de Humphrey Bogart e Paul Muni, em preto e branco, no cinema do bairro onde vive Max criando um contraponto e uma ilustração de narrativa. Canções como A Volta do Malandro, Geni e o Zepelin, Las Muchachas de Copacabana, Sentimental e Desafio do Malandro, entre outras, preenchem a tela, sem dever nada aos musicais de Irving Berlim e Cole Porter. Embora não seja apontado como o melhor trabalho nas telas de Ruy Guerra, está sem dúvida entre seus filmes mais bem sucedidos com o público e crítica sendo aclamada com o Prêmio Especial do Júri no Festival Internacional do Novo Cinema Latino-Americano e o prêmio de Melhor Direção no 3° FestRio. Disponível na Mubi.

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