MÚSICA & POESIA | TITÂS; CABEÇA DINOSSAURO 40 ANOS

André Azenha

Em junho de 1986, em um Brasil recém-saído da ditadura militar, ainda tentando se reorganizar com a Nova República, inflação alta e tensão social, os Titãs lançaram o disco que mudou sua história e a trajetória do rock brasileiro. Tô falando de Cabeça Dinossauro. A banda vinha pressionada. Os dois primeiros álbuns venderam menos do que a gravadora WEA esperava e, no fim de 1985, Arnaldo Antunes e Tony Bellotto foram presos por porte de heroína. Em vez de recuar, o então octeto reagiu. Com produção de Liminha, o grupo abandonou o pop inicial e gravou um álbum duro, urgente e ruidoso. Vieram 13 petardos sonoros: a faixa-título, AA UU, Igreja, Polícia, Estado Violência, A Face do Destruidor, Porrada, Tô Cansado, Bichos Escrotos, Família, Homem Primata, Dívidas e O Quê. Várias viraram hits e hinos do rock brasileiro. As letras atacavam instituições, autoritarismo, violência policial, moralismo, o conceito tradicional de família, religião institucional e consumismo. O público respondeu: 250 mil cópias vendidas renderam o primeiro disco de ouro da banda. Com o tempo, ultrapassou 700 mil. A crítica da época amou. Anos mais tarde, em 1997, a revista Bizz o elegeu o melhor disco brasileiro de rock. Quarenta anos depois, Cabeça Dinossauro segue moderno no som e nos temas. Infelizmente, quase tudo o que ele denunciava continua atual neste país controverso.

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