OS FILMES DE VAMPIROS DA HAMMER FILMES

Adilson Santos

A releitura de Frakenstein em 1957 foi muito bem sucedida e assim a Hammer voltou seus olhos para a obra de Bram Stoker. Faziam dois anos da morte de Lugosi quando Christopher Lee assumiu o papel de Drácula em  Drácula – O Vampiro da Noite (Dracula), dirigido por Terence Fisher. O filme, produzido pela Hammer Films, foi um sucesso apesar de novas liberdades serem tomadas em relação ao livro de Bram Stoker como nunca mostrar Drácula envelhecido no início da história; ou Mina que sendo retratada no filme como esposa de Arthur e sem relação direta com Jonathan Harker, que no filme vai ao castelo do conde ciente de sua natureza malévola e com intenção de destruí-lo. A Hammer acentuava o lado sensual do vampirismo, bem como caprichava na cenografia gótica. Apesar das mudanças, Lee tornou-se icônico no papel mesmo tendo apenas 13 falas em todo o filme. Sua atuação é estilosa, equilibrando sua pose aristocrática com feições de puro terror, realçadas pelo vermelhão nos olhos e pelas presas salientes, pela primeira vez exibidas de forma ameaçadora. Ao seu lado, o ótimo Peter Cushing como seu nêmesis, o Professor Van Helsing. Nos Estados Unidos, o filme foi rebatizado de Horror of Dracula, para evitar confusão com o filme de Lugosi. Lee repetiu o papel mais 7 vezes pela Hammer: Drácula o Príncipe das Trevas (1966), Dracula – O Perfil do Diabo (1968), O Conde Dracula (1970), Sangue de Drácula (1970), Dracula no Mundo da Minissaia (1972) e Ritos Satanicos de Drácula (1973). Ainda haveria As Noivas de Dracula (1960) com Peter Cushing repetindo seu papel de Van Helsing mas sem Christopher Lee.

A Hammer foi quem melhor explorou o ciclo de vampirismo nas telas nao apenas com o Drácula de Lee mas com outras variações no tema, sempre com relativo sucesso. A mais notável foi a Trilogia Karnstein, uma série de filmes de vampiros com enredos lésbicos ousados. Todos os três filmes foram roteirizados por Tudor Gates, apresentando vampiros da nobre família Karnstein e sua residência, o Castelo Karnstein, próximo à cidade homônima na Estíria, Áustria. O primeiro filme Carmilla – A Vampira de Karnstein (The Vampire Lovers, 1970), ambientado na Estíria de 1794, conta com a atriz de origem polonesa Ingrid Pitt no papel da condessa vampira lésbica Mircalla Karnstein (nascida em 1522, falecida em 1546). O filme foi baseado na famosa novela de 1872 Carmilla, de J. Sheridan Le Fanu; o nome Mircalla é um anagrama de Carmilla, que é um pseudônimo usado por Mircalla ao longo da história.

A historia é retomada em Luxúria de Vampiros (Lust for a Vampire (1971) trazendo  a atriz dinamarquesa Yutte Stensgaard no papel de Carmilla, descendente de Mircalla (nascida em 1688, falecida em 1710). Ambientado em 1830 (sugere-se que os Karnsteins reaparecem a cada 40 anos), Carmilla adota o nome de sua ancestral para seduzir e assassinar em uma escola exclusiva para meninas. E fim, a Trilogia se fecha com As Filhas de Dracula (Twins of Evil , 1971) centrado na figura de Damien Thomas como o descendente de Mircalla, o malvado conde Karnstein. A própria Mircalla, interpretada pela atriz alemã Katya Wyeth, aparece brevemente (embora sua data de morte seja agora indicada como 1547). A história gira em torno das irmãs Maria e Frieda Gellhorn (interpretadas pelas gêmeas idênticas e coelhinhas da Playboy Mary Collinson e Madeleine Collinson). Aparentemente, trata-se de uma prequela do primeiro filme: retrata um membro da família Karnstein como um ser humano em vez de um vampiro, e o cenário e os figurinos conferem ao filme uma aparência e atmosfera do século XVII, fazendo com que cada um dos três filmes se passe em um século diferente. Longe de se encerrar aqui, o ciclo de vampiros nas telas é tema recorrente em filmes e series, mostrando que na indústria cinematográfica como na lenda, o vampiro é eterno.

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