Adilson Santos

Na década de 80, depois do sucesso de E.T – O Extraterrestre (1981), todo estúdio procurava uma história de um visitante de outro mundo perdido na Terra. Os roteiristas Bruce A. Evans e Raynold Gideon se inspiraram no episódio The Gift da clássica série Além da Imaginação (The Twilight Zone). A historia gira em torno de um alienígena (Jeff Bridges) que chega à Terra após sua nave ser abatida. Para sobreviver, ele clona o corpo do falecido marido de Jenny Hayden (Karen Allen). Perseguido pelo exército, o viajante precisa chegar ao Arizona em três dias para não morrer, enquanto se apaixona pela viúva. O filme foi dirigido por John Carpenter que buscava um projeto mais rentável depois do fracasso de bilheteria de O Enigma de Outro Mundo (1982) e Christine – O Carro Assassino (1983).

Starman foi o único filme de John Carpenter a receber uma indicação ao Oscar, no caso de Melhor Ator para Jeff Bridges. O ator e produtor Michael Douglas, que desejava fazer o papel de Jeff Bridges, ficou muito satisfeito com a escolha de John Carpenter para a cadeira de diretor. Kevin Bacon e até Tom Cruise foram pensados para o papel. Rick Baker ficou responsável pela primeira fase do efeito de transformação do Starman, construindo um boneco mecânico de bebê. Stan Winston criou a fase intermediária, que começava com um menino de verdade e depois passava para um boneco com membros que se esticavam, como se o menino estivesse crescendo até a adolescência. O boneco de Winston exigiu o desenvolvimento de novos materiais que mantivessem sua forma enquanto mecanismos pneumáticos sob a pele, projetados por Ellis Burman Jr., executavam o movimento de alongamento. “Foi um efeito bastante desafiador”, disse John Rosengrant. “Em sua fase inicial, a mais jovem, ele precisava parecer um menino absolutamente anatomicamente correto. Mas então todos os ossos e a pele precisavam crescer. Os desafios eram manter tudo intacto — a pele externa, a pintura sobre a pele e a forma básica dos membros — à medida que o boneco se esticava. Fizemos muita pesquisa sobre materiais para a pele que se esticassem sem romper e mantivessem a pintura. Também criamos núcleos em espiral, quase como Slinkys, que se esticavam mas mantinham a forma, para que os membros não se dobrassem nem se deformassem.” Quase uma década depois, a equipe iria extrapolar esse conceito de núcleo em espiral para manter a forma e a integridade das caudas dos dinossauros.

Em 1986 a ABC continuou a história do filme produzindo um série de TV estrelada por Robert Hayes, de Apertem os Cintos O Piloto Sumiu (1980), substituindo Jeff Bridges. A série se passa quinze anos após os acontecimentos do filme e mostra o retorno do alienígena como um clone do falecido fotojornalista Paul Forrester (Robert Hays) para conhecer e orientar seu filho, agora adolescente, Scott Hayden Jr. (Christopher Daniel Barnes), enquanto tentam escapar de um agente do governo dos EUA e encontrar a desaparecida Jenny Hayden, mãe de Scott. Em cada episódio da série, o pai e o filho fugitivos se deslocam de um lugar para outro, encontrando pessoas que precisam de ajuda, enquanto Scott tenta explicar ao pai alienígena o que significa ser um ser humano, e Starman é forçado a lidar com as consequências do passado bastante hedonista de Forrester. Cada um possui uma pequena esfera prateada de material alienígena, com cerca de 3 a 4 cm de diâmetro, que permite que uma mente treinada projete pensamentos para realizar telecinesia ou telepatia de maneira limitada. O filme está entre as pérolas da década de 80, disponível no streaming pela Paramount +