Adilson Santos

Fevereiro de 1986 foi um ano e tanto paravo cenário do rock nacional com o primeiro álbum da Plebe Rude, banda formada por Philipe Seabra (vocal e guitarra), Jander Bilaphra, André X e Gutje Woortmann. A banda nascera cinco anos antes em Brasília, embrião do rock contestatorio da Turma da Colina, como era chamado a mistura de integrantes que viria a compor muito tempo depois a Legião Urbana e o Capital Inicial, quando estes ainda se reuniam como o Aborto Elétrico. O som da Plebe Rude vinha carregado de critica política e social nas sete faixas do álbum. Em Até Quando Esperar ecoam os versos que dizem “Com tanta riqueza por ai / Onde é que está? Cadê sua fração…Até quando esperar / a Plebe ajoelhar/ Esperando a ajuda de Deus.” Mesmo alcançando o sucesso nas veiculaçoes das rádios, a banda nao calava seu tom questionador como na música Minha Renda onde canta “O que importa é a Renda / Ambição, grana, fama e você.” Considerado um dos melhores discos de rock nacional de todos os tempos, com produção de Herbert Vianna do Paralamas do Sucesso, o disco chegou a 200 mil cópias. A Plebe Rude estreou com o pé direito sendo executado por todas as rádios e implicando hits como Sexo & Karatê (com participação de Fernanda Abreu), Johnny vai a Guerra Outra Vez, Seu Jogo é a sensacional Proteção. Esta expressa a ironia que evidencia a desconfiança em relação ao discurso oficial do Estado sobre segurança pública. Em vez de transmitir tranquilidade, a música aponta a força policial e o controle estatal como instrumentos de intimidação. Grande sucesso, a Plebe lancaria seu segundo album Nunca Fomos Tao Brasileiros no ano seguinte, continuando com a mesma verde, de nós levar a questionar se sera verdade, sera que nao? Nada que possamos falar. Sera que mudou tanto ou nada ?