André Azenha

Quanto Mais Quente Melhor (Some Like It Hot) de 1959, é uma das obras-primas do mestre Billy Wilder. E também o filme que melhor revela a grande atriz que existia por trás do mito Marilyn Monroe. Joe, personagem de Tony Curtis, e Jerry, vivido por Jack Lemmon, testemunham o Massacre de São Valentim, crime que realmente aconteceu na Chicago de 1929, durante a guerra entre gangues. Perseguidos pela máfia, os dois se disfarçam de mulheres e entram para uma banda feminina. É nesse momento que surge Sugar Kane, interpretada pela maior estrela de todos os tempos. À primeira vista, ela parece apenas uma cantora sonhadora. Mas a atriz constrói uma personagem muito mais complexa. Sugar coleciona decepções amorosas, alcoólatra, tenta esconder a tristeza atrás do sorriso, mas continua acreditando que a felicidade pode estar logo ali na próxima esquina. Enquanto Tony Curtis e Jack Lemmon protagonizam algumas das cenas mais engraçadas da história do cinema, Marilyn é o coração da história. O público ri das confusões dos protagonistas e se envolve com os sonhos, as inseguranças e as fragilidades de Sugar Kane. Não por acaso, o Instituto Americano de Cinema elegeu Quanto Mais Quente Melhor a maior comédia de todos os tempos. A cada revisão, o humor continua funcionando, os personagens seguem cativantes e Marilyn ainda domina a tela em cada aparição. Tudo termina com uma das frases mais famosas da cultura popular. Quando Jerry finalmente revela ao milionário Osgood, interpretado por Joe E. Brown, que na verdade é um homem, recebe uma resposta que atravessou gerações: “Ninguém é perfeito.”