CLÁSSICO NACIONAL | A DAMA DO CINE SHANGHAI

Adilson Santos

O filme de Guilherme de Almeida Prado, venceu o Festival de Gramado de 1988 com seis Kikitos, inclusive os de melhor filme e melhor diretor. A narrativa faz referência ao próprio mundo do cinema com Antonio Fagundes no papel de um corretor de imóveis , que conhece mulher belíssima (Maitê Proença) num cinema. Passa-lhe uma cantada. Aparentemente, se dá mal. No dia seguinte, a mulher, acompanhada pelo marido (Paulo Villaça), aparece para ver um velho imóvel que o corretor está vendendo. Compra-o (o imóvel). O velho apartamento no centro de São Paulo será o cenário para o tórrido romance entre os dois, que culmina com a proposta da femme fatalle de que matassem seu marido. Lembranças como de Pacto de Sangue (Double Indemnity, 1945), de Billy Wilder, e Corpos Ardentes (Body Heat, 1981), de Lawrence Kasdan vem inevitavelmente à cabeça. E você deve saber que nesses enredos simples sempre couberam elementos complicadores. que confundem o protagonista em sua jornada de descoberta. Maitê Proença seduz o espectador realçada pela impecável direção de arte. O orçamento brasileiro (cerca de 500 mil dólares) foi generoso para uma produção da época. Nesta ecos de mestres do porte de John Huston, Billy Wilder, Howard Hawks e outros diretores dos anos de ouro do filme B não se limitassem a compor uma enigmática atmosfera. Eles narravam, com excepcional talento, histórias fortes e bem estruturadas, escritas por gente como Raymond Chandler e Dashiel Hammett. O diretor, no entanto, não inventa nem reinventa o gênero noir, apenas o homenageia sendo bem simplista na condução da história. O espectador não rói unhas diante do destino incerto daqueles personagens, mas tem uma diversão garantida. Infelizmente o filme não está em nenhum streaming.

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