HQ | SUPERGIRL NO BRASIL

Adilson Santos

Foi a EbalEditora Brasil-América, de Adolfo Aizen, a pioneira em apresentar a Supergirl para o público brasileiro. Naquela época, a tradução literal “Super-garota” soava estranha, então a EBAL optou por batizá-la inicialmente de Supermoça nas páginas de Star Álbum 3° Série #1 Supermoça (agosto/:setembro 1968) republicando Action Comics #252 (maio de 1959) com história de Otto Binder e desenhos de Al Plastino. Na história o Superman  descobre um foguete vindo de Krypton trazendo sua prima Karatê Zor-El,  também sobrevivente da destruição de seu planeta. Adotando o nome Linda Lee, a jovem se estabelece no orfanato da cidade de Midvale, onde deverá manter segredo sobre sua existência e usar seus poderes em segredo. Inicialmente bimestral, logo o título da Ebal se tornou mensal durando 38 edições até dezembro de 1971. A heroina de Krypton ganhou um segundo título nacional intitulado A Nova Supermoça pela Ebal a partir de agosto de 1972, que durou 15 edições mensais em preto e banco até outubro de 1973. No mesmo mês o titulo é relançado em cores Supermoça, durando 8 edições bimestrais. A garota de aço tinha participação recorrente em outras histórias do Superman e especiais, mas mesmo quando a DC comics passou a ser publicada pela Editora Abril, a personagem foi muito mal explorada tendo apenas as 3 primeiras edições do título The New Adventures of Supergirl (1982) nas páginas de Superamigos #1 #2 e #3.

A heroina na verdade perdeu muito de sua importância com o público leitor e com o fracasso comercial do filme Supergirl (1984) estrelado por Helen Slater, os editores simplesmente a deixaram de lado. Com a publicação da maxiserie Crise Nas Infinitas Terras em 1985 os editores da DC Comics decidiram matar a personagem, um impacto inesperado na época que causou comoção entre os leitores. Quando John Byrne assumiu as histórias do Superman, prometeu que o herói seria o único sobrevivente de Krypton. Mesmo assim criou uma segunda versão da  Supergirl vinda de uma realidade paralela. Esta versão, no entanto, não era prima do Superman, sendo composta de proto-materia em um experimento realizado por uma versão alternativa de Lex Luthor.  Esta Supergirl Matriz protagonizou diversas histórias entre 1988 e 2003, incluindo a saga Pânico nos Céus, A Morte do Superman, O Retorno do Superman e outras. No final dos anos 90 ganhou um título próprio escrito pelo excelente Peter David. Nesta fase, Matriz se fundiu com uma jovem mortal mortalmente ferida chamada Linda Danvers. Essa união salvou a vida da garota, e a heroina passou a ser retratada como um “anjo da terra”, dando à Supergirl poderes de fogo sagrado, asas flamejantes e habilidades divinas. Todas essas mudanças, no entanto, a distanciaram muito de sua conexão com o Superman.

Em 2004 a DC Comics decidiu retomar vários elementos de seu passado apagado pela Crise e a Supergirl original foi uma delas. No título Superman/Batman #8 Jeph Loeb e Michael Turner reintroduziram Kara Zor-El como a legitima Supergirl do universo DC, ligo ganhando título próprio de sucesso. Apesar de mudanças bruscas e sem efeito como a iniciativa Novos 52, Kara Zor-El continua suas aventuras  o Universo DC. O arco  Supergirl Mulher do Amanha de Tom King (2022), que serviu de inspiração para o filme de Craig Gillespie, foi aclamado por público e crítica, sendo indicado ao Prêmio Eisner, uma prova do apelo ainda forte que a heroina exerce no público leitor, nao como uma variação feminina do Superman mas como uma personagem de características próprias e mérito inegável.

Deixe um comentário