CRITICOS DE CINEMA DO BRASIL | PAULO PERDIGÃO – FILÓSOFO, RADIALISTA; ESCRITOR E CRÍTICO DA SÉTIMA ARTE

Paulo Telles iniciando uma nova série sobre os maiores críticos de cinema do Brasil.

Vale à pena relembrar um dos maiores críticos e entendidos de cinema que o Brasil conheceu na área da comunicação social: o jornalista Paulo Perdigão (1939-2006), que atuou por quase 20 anos como formulador de sinopses em sua coluna Filmes de Hoje na TV, pelo jornal O Globo em seu segundo caderno. No periódico, Paulo Perdigão fazia uma ligeira prévia de cada filme a ser exibido no dia pelas emissoras televisivas do país, e ainda escrevia a coluna Filmes da Semana pela Revista da TV aos domingos, onde fazia comentários mais elaborados e didáticos das películas a serem apresentadas semanalmente. E isso ainda no tempo quando a televisão aberta ainda servia de cinemateca, oferecendo aos telespectadores opções variadas em sua programação.

Entre 1967 a 1993, Perdigão foi programador de filmes da Rede Globo de Televisão, onde acabou criando algumas sessões de cinema que até hoje perpetuam pela emissora, como a Sessão da Tarde, o Domingo Maior e o Corujão. Na mídia impressa, além do jornal O Globo, Paulo Perdigão também comentou pelo Diário de Notícias, Jornal do Brasil, e para as revistas Manchete e Veja. Também foi editor do Guia de Filmes, publicação do antigo Instituto Nacional do Cinema (INC), entre as décadas de 1950 e 1960, ajudando a organizar alguns dos mais importantes festivais internacionais de cinema realizados no Brasil. Além de cultuar a Sétima Arte, Perdigão também era escritor, filósofo, e radialista, e tinha tanta admiração pelo rádio que tratou do tema em seu livro, “PRK-30”, título homônimo ao programa de humor que, por mais de duas décadas, foi uma das vedetes da Rádio Nacional, alcançando mais de 50% de audiência. Como cinéfilo, era admirador figadal do clássico Os Brutos Também Amam (Shane, 1953), de George Stevens (1904-1975), filme que o jornalista confessava ter assistido mais de 82 vezes ao longo da vida. Admirava tanto este Western que empreendeu quatro viagens para o Wyoming (EUA) para conhecer as locações e restos de cenários, chegando a entrevistar pessoalmente o diretor Stevens, na Califórnia. Essa experiência ele deixou registrado em seu livro Western Clássico – Gênese e Estrutura de Shane, publicado em 1985. Paulo Perdigão era também especialista em Jean-Paul Sartre, de quem fez a primeira tradução em português de O Ser e o Nada, e escreveu Existência e Liberdade – Uma Introdução à Filosofia de Sartre.

Paulo Perdigão faleceu no Rio de Janeiro em 31 de dezembro de 2006, aos 67 anos, pouco depois de relançar um de seus famosos livros, Anatomia de Uma Derrota (1986, considerado pela crítica como a obra definitiva sobre a derrota do Brasil na Copa do Mundo de 1950). Fica este breve registro a cerca de Paulo Perdigão, sem dúvida um grande intelectual e comunicador da mídia em diferentes formatos.

Paulo Telles é radialista (DRT 21959/RJ), crítico de cinema, escritor, produtor e co-criador do site CINEMA COM POESIA.

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