QUEM E QUEM NA ODISSEIA

Adilson Santos

Vamos conferir quem sao os personagens retratados no épico de Christopher Nolan. A Odisseia, é sequência direta de A Iliada, ambos atribuídos a Homero, em fins do século VIII a.c. A Odisseia é uma narrativa não linear com sua trama iniciada já inserida no meio de uma história mais ampla, e com os eventos anteriores sendo descritos ou através de flashbacks ou de narrativas dentro da própria história. Vamos conferir abaixo um resumo dos personagens por quem são representados no filme de Nolan que chega aos cinemas nesta quinta 16/07).

Odisseu / Ulisses (Matt Damon): O rei de Ítaca e protagonista. Astuto e estrategista, passou 20 anos longe da família (10 na Guerra de Troia e 10 perdido no mar).  Ele é o arquétipo do heroi sobrevivente.  Diferente de outros heróis épicos, sua força não é apenas a espada, mas sua inteligência estratégica e a capacidade de adaptação. Odisseu perdeu tudo, viu seus companheiros morrerem, chega a duvidar de si mesmo constantemente, mas nunca, em nenhum momento, desiste da seu propósito de voltar para Ítaca. Ele é a prova de que a resistência é, por si só, uma forma de heroísmo.

Penélope (Anne Hathaway): A leal esposa de Odisseu. Em Ítaca, ela resiste à pressão de pretendentes gananciosos que querem tomar o trono. Enquanto ele luta contra o mundo exterior, ela luta contra o tempo e a pressão dos pretendentes dentro de casa. Penélope não é uma espera passiva; ela é a guardiã do lar e da memória. Sua astúcia ao tecer e destecer a mortalha de Laertes mostra que ela, assim como o marido, possui a inteligência necessária para manter a sanidade e a dignidade em tempos de caos. Ela é a âncora que espera na costa.

Telêmaco (Tom Holland): O filho de Odisseu e Penélope. Ele parte em busca de notícias sobre o pai, saindo da juventude para assumir suas responsabilidades. Ele cresceu na sombra de um pai ausente, por isso a busca por Odisseu é, na verdade, a busca pela própria identidade. Ele precisa aprender a se tornar homem, a assumir o seu lugar no mundo e a enfrentar as incertezas do futuro. Ele representa a continuidade, a esperança de que, após a tempestade, há uma nova geração pronta para sustentar a casa.

Atena (Zendaya): A deusa da sabedoria. Protetora de Odisseu e Telêmaco, ela os orienta estrategicamente ao longo da epopeia. Ela é a voz da razão que sussurra no ouvido dele quando a dor ou o medo tentam cegá-lo. Atena representa o discernimento — aquele momento em que a cabeça para de “flutuar” e você consegue ver o próximo passo.

Antínoo (Robert Pattinson): O principal e mais arrogante dos pretendentes que ocupam o palácio em Ítaca, tornando-se um grande antagonista.

Calipso (Charlize Theron): A ninfa que, apaixonada por Odisseu, o mantém preso em sua ilha por sete anos, oferecendo-lhe a imortalidade. Ela representa a zona de conforto disfarçada de prisão. É aquela situação que parece segura e até sedutora, mas que, no fundo, nos impede de viver nossa verdadeira vida. Odisseu prefere a dor da mortalidade e a incerteza do mar do que viver “esquecido” num paraíso artificial.

Agamenon (Benny Safdie): Rei de Micenas e comandante das forças gregas em Troia. O seu trágico destino funciona como um alerta sombrio para Odisseu. Agamenon é a figura da fatalidade doméstica. Ele é o rei dos reis, o comandante da expedição grega em Troia, mas sua história é o oposto da de Odisseu: enquanto Odisseu luta para voltar para casa e restaurar a ordem, Agamenon volta para casa e encontra a sua própria destruição. Ao retornar de Troia, Agamenon é assassinado por sua esposa, Clitemnestra (Lupita Nyong’o) e pelo amante dela, Egisto.

Helena (Lupita Nyong’o). Helena aparece no Canto IV da Odisseia, quando Telêmaco viaja a Esparta em busca de notícias sobre o pai. Ela é retratada como uma rainha imponente, rica e extremamente elegante. Homero a descreve em seu palácio, cercada por servas, realizando tarefas domésticas com dignidade, mas mantendo uma aura de beleza divina que ainda parece transcender o tempo.

Eumeu (John Leguizamo): O fiel pastor de porcos e servo de Odisseu. Ele é um dos primeiros a acolher o herói disfarçado em seu retorno. Este é um dos personagens mais nobres. Mesmo sendo um escravo, ele trata o “mendigo” (Odisseu disfarçado) com total hospitalidade e lealdade. Ele representa a lealdade despretensiosa. Às vezes, o apoio que a gente precisa não vem de onde a gente espera, mas de pessoas simples que nos veem como somos, sem julgamentos.

Menelau (Jon Bernthal): O rei de Esparta e marido de Helena. Ele recebe Telêmaco em sua busca e divide suas próprias memórias da guerra. Quando encontramos Menelau no Canto IV, ele está em seu palácio em Esparta, vivendo em extrema opulência após ter finalmente retornado de suas viagens. Ele é o modelo perfeito da xenia (a lei da hospitalidade grega). Mesmo sem saber que Telêmaco é filho de seu antigo companheiro de armas, ele o recebe com banquetes, banhos e presentes valiosos antes mesmo de perguntar quem ele é, cumprindo rigorosamente os deveres de um anfitrião.

Circe (Samantha Morton) :  A feiticeira que transforma os companheiros de Odisseu em animais. Ela representa a estagnação e o esquecimento. Muitas vezes, na vida, a gente “vira bicho” por causa da dor — perdemos nossa humanidade e nosso raciocínio, nos deixando levar apenas pelos instintos de sobrevivência ou pelo entorpecimento. Odisseu só supera Circe porque possui a “erva mágica” (moly) dada por Hermes, que é o símbolo da clareza mental e da proteção contra a perda de si mesmo.

Polifemo (Bill Irwin): O Ciclope representa a força bruta e a falta de visão. Aquele medo cego que nos ataca e nos quer devorar. O segredo de Odisseu contra ele foi a astúcia: ele não lutou contra o tamanho do gigante, mas contra a sua falta de visão. Ele se chamou de “Ninguém” para que, quando o Ciclope pedisse socorro, ninguém viesse ajudá-lo. É uma lição valiosa: quando o medo for grande demais, não tente ser um herói gigante; seja “ninguém”, esconda-se na inteligência e na calma até o momento de agir.

Melantho (Mia Goth) É uma serva (criada) de Penélope. Embora tenha sido criada pela rainha como se fosse uma filha, ela trai a confiança da Rainha. Ela é filha de Dolios e irmã de Melanthius, o cabreiro. Assim como o irmão, ela demonstra uma postura hostil e desrespeitosa em relação ao “mendigo” — que, na verdade, é o próprio Odisseu disfarçado.

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