Adilson Santos

Há 54 anos o Brasil perdia Leila Diniz, musa, atriz, vedete, mulher que viver à frente de seu tempo. Leila Roque Diniz simbolizou uma época em que a simples manifestação dos desejos, ainda que fosse apenas a vontade de ser feliz, era o bastante para gerar atitudes repressivas e autoritárias do governo. O diretor Luiz Carlos Lacerda, que foi amigo íntimo da Leila de verdade, soube contornar com sensibilidade a questão do pouco distanciamento histórico que o separa da morte da atriz, realizando um filme que capta a personagem em sua essência — daí o seu maior mérito. A história de Leila Diniz não necessita de floreios românticos, apenas de um ritmo capaz de captar sua alma contestatória graças ao desempenho de Louise Cardoso, que retrata sua humanidade e seu estrelato sem jamais se permitir ser caricatural. O filme consegue retratar a truculência do governo Médici, que tentava por todos os meios calar a voz libertária de Leila, que era filha de pais comunistas. Leila foi a primeira musa da Banda de Ipanema, posou grávida de biquíni escandalizando os conservadores, fez teatro, cinema e TV, foi perseguida pela polícia mas nunca deixou de tentar ser feliz. Sua morte a bordo de um jato qie explodiu sobre a Índia em 1972, quando Leila tinha apenas 27 anos, foi um fim trágico que fez dela uma estrela cadente passando pela vida carioca do final dos anos 60 e início dos 70. Um icone e uma lenda. Uma cinebiografia das melhores a mostrar uma figura tao importante de nosso país.O filme pode ser visto na Claro TV +