Adilson Santos

Um dos maiores sucessos do autor pernambucano Nelson Rodrigues (1912-1980), a peça Beijo no Asfalto, originalmente publicada em 1960 ganhou nova montagem desde ontem (16/07) no Teatro Gláucio Gil. Dirigido por Marco André Nunes, a história gira em torno de Arandir (Eduardo Sterblitch) que tem sua vida destruída após atender ao pedido de um estranho atropelado, à beira da morte: um beijo na boca. O repórter sensacionalista Amado Ribeiro (André Mattos), que vê o beijo, transforma o ato de compaixão em uma narrativa de difamação. Com a ajuda do delegado Cunha (Ernani Moraes), a imprensa acusa Arandir de ser amante do morto e até de ter causado o acidente. Assim, ele, sua esposa, Selminha (Luísa Arraes), e sua cunhada, Dália (Nina Tomsic), sofrem com o preconceito e a perseguição da sociedade. Cada vez mais isolado, Arandir ainda tem que lidar com seu sogro, Aprígio (Edson Celulari), que sempre o desaprovou e fica ainda mais rigoroso após o caso. A obra já teve três versões para o cinema, em 1964, 1981 e 2018, e permanece atual por tratar de situações quem resvalam na cultura do cancelamento, no preconceito e na difamação virtual presente no mundo de hoje, questões atemporais que Nelson Rodrigues soube antever por falar da alma humana e da degradação desta.
AGENDA TEATRO:
INCONDICIONAIS. Inspirado nos livros Prisioneiras, de Dráuzio Varella, e Cadena – Relatos sobre mulheres, de Débora Diniz, o espetáculo marca o retorno do Amok Teatro ao teatro documental e mergulha no universo carcerário feminino a partir de depoimentos e fatos reais. Direção e dramaturgia de Ana Teixeira e Stephane Brodt. Sesc Copacabana. Qui e sex, às 20h. Sáb e dom, às 18h (exceto no dia 5). R$ 30. A partir de 16 anos. Até 19 de julho.
SE EU FOSSE EU – CLARICES. Reestreia nesta sexta (3/7) esta adaptação dos contos O Ovo e a Galinha, Perdoando Deus e A Srta. Algrave, de Clarice Lispector, para abordar temas como a descoberta do prazer, a maternidade e a espiritualidade. Dirigida por Camila Guerra, Juliana Drummond e Rosanna Viegas. Centro Cultural da Justiça Federal, Cinelândia. Sexta a domingo, às 19h (exceto dia 5). R$ 60. A partir de 16 anos. Até 26 de julho.
O PROCESSO. Estreia neste sábado (4/7) esta adaptação do romance de Franz Kafka, no qual um homem descobre que está sendo processado e passa meses à mercê de um tribunal sem nunca saber do que é acusado. Dramaturgia de Rubens Bomfim, que atua ao lado de Cláudio Bastos e Victor Nalin. Direção de Cecilia Terrana. Espaço Abu, Copacabana. Sáb., às 20h. Dom., às 19h (exceto no dia 5). Sex. (10), às 20h. R R 50. A partir de 16 anos. Até 26 de julho.
MEU FILHO É UM MUSICAL.Com a participação de Déa Lúcia (interpretada por Stella Maria Rodrigues), o espetáculo conta a trajetória do ator Paulo Gustavo, interpretado, em sessões alternadas, por João Pedro Chaseliov e Pierre Baitelli. Teatro Multiplan, Village Mall. De quarta a sexta, às 20h. Sábado e domingo, às 16h e 20h. De R$ 180 a R$ 360. Entrada gratuita. Até 19 de julho.