CLÁSSICO NACIONAL | XICA DA SILVA – 50 ANOS

Adilson Santos

O papel que marcou a carreira de Zezé Motta, nas palavras da própria, que visitou dezesseis países para promover o filme, dirigido por Caca Diegues. Este se inspirou para fazer o filme durante o desfile da Escola de Samba Salgueiro,  no carnaval do Rio de Janeiro de 1963, quando o desfile prestou homenagem a Chica da Silva. A grafia do nome da personagem foi intencionalmente modificado pelo diretor de “Ch” para “X” como liberdade poética em seu drama histórico rodado em Diamantina recriando o Brasil da segunda metade do século 18, mas em tom assumido de farsa mas centrada em uma figura mítica do que factual. Na história o português João Fernandes de Oliveira (Walmor Chagas), contratador de diamantes, chega ao Arraial do Tijuco, em Minas Gerais. Interessa-se vivamente pela escrava negra Xica da Silva (Zezé Motta), tomando-a a seu serviço e lhe dando uma carta de alforria. A influência de Xica sobre João Fernandes cresce rapidamente, e ela passa a dominar não apenas sua vida como também a política, a moda e a economia da região. Presenteada com um palácio, um lago artificial e uma galera, Xica se vinga das humilhações sofridas, pune seus inimigos e protege os escravos foragidos.

Caca Diegues teve dificuldades para encontrar a atriz principal e estava decidido a não fazer o filme de jeito nenhum sem ela. Nelson Motta então se lembrou de Zezé Motta, por seu trabalho no teatro na peça Godspell. A atriz fez aqui sua estreia nas telas, e retornaria ainda em 1996 na nova versão feita para a TV Manchete fazendo o papel de Mãe de Xica da Silva, vivida agora por Tais Araújo. A popular crônica do Brasil  colonial filmada por Diegues ganhou quatro prêmios Coruja de Ouro da extinta Embrafilme em 76 (melhor atriz, atriz coadjuvante — Elke Maravilha, fotografia e cenografia), três prêmios no Festival de Brasília do mesmo ano (melhor filme, direção e atriz), três prêmios Air France (melhor filme, direção e atriz) e dois prêmios Governador do Estado de São Paulo em 77 (melhor atriz e melhor montagem). As Músicas de Roberto Menescal e Jorge Ben ajudam a conduzir a história coqueiro alcançou grande apelo diante do público, e que mantém essa força narrativa revisto agora que o filme está sendo relancado nos cinemas como comemoração dos seus 50 anos.

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