CLASSICO NACIONAL |  ELIS : DEZ ANOS DE UMA DAS MELHORES CINEBIOGRAFIAS

Adilson Santos

Hoje comemoramos os 43 anos da ótima atriz Andreia Horta, uma boa oportunidade de lembrar de um de seus maiores sucessos, a cinebiografia Elis. A atriz nao apenas interpretou Elis, ela incorporou a cantora como se esta renascesse diante da câmera. Elis Regina Carvalho Costa brilhou com sua voz intensa, emotiva e capaz de elevar o espírito em canções como O Bêbado e o Equilibrista, Para Lennon e McCartney, ou a iconica Para Nossos Pais. Em cada uma Elis tinha algo a dizer com seu espírito indomável. Andreia capta esse espírito conduzido pela câmera do diretor Hugo Prata.

O filme começa nos levando ao Rio Grande do Sul do início dos anos 1960, apresentando uma jovem Elis ainda lapidando aquela potência vocal inconfundível antes de ser tragada pela engajadora e cruel máquina cultural do eixo Rio-São Paulo. É fascinante observar como a narrativa traduz visualmente a urgência da artista: ela não pedia licença para existir. A Pimentinha, apelido conferido por Jair Rodrigues, chegou impondo respeito em um universo machista, competitivo e em plena ebulição política. A  postura corporal inconfundível — os braços em voo, o sorriso rasgado, a intensidade quase dolorosa nos olhos enquanto segurava o microfone, a atriz transmite com precisão a dualidade que definia a cantora: a força titânica nos palcos, capaz de paralisar plateias inteiras na Europa e no Brasil, em contraste com a fragilidade, a solidão e a busca incansável por amor como em Triste, composta por Tom Jobim.

O roteiro de Vera Egito, Luiz Bolognesi e Hugo Prata atravessa a Jovem Guarda, enfrentando as sombras e os horrores da Ditadura Militar — um período em que sua arte se tornou um ato de resistência e refúgio — até chegar às inovações de álbuns como Falso Brilhante e Trem Azul. O filme não se esquiva de mostrar as dores da artista: as frustrações em seus casamentos, as auto cobranças torturantes, a dependência química e outras mazelas pessoais. Elis, que nos deixou aos 36 anos, em 1982, deixou marca indelével na vida e na cultura do país e certamente nos observa do céu dizendo “Alô Alô marcianos. Pra variar ainda estamos em guerra e cada vez mais down” mas iluminados pelo legado de Elis.

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