Adilson Santos

O leitor aficcionado por quadrinhos, ao assistir a Homem Aranha Um Novo Dia (Spider-Man: Brand New Day), 38° filme do MCU, vai ter na lembrança a sensação de estar lendo uma história de Marvel Team Up, publicação que por 15 anos colocava o amigão da vizinhança ao lado de outros persoangems Marvel. No filme dirigido por Destin Daniel Cretton (Shang Chi & A Lenda dos Dez Aneis) o herói cruza o caminho da Viúva Negra (Florence Pugh), Hulk (Mark Ruffalo), Jean Grey (Sadie Sink) e do Justiceiro (Jon Bernthall). Com este, Peter vive uma parceria divertida marcada por ação e humor, mas com dinâmica bem diferente dos quadrinhos originais. A parte disso, temos um filme que vale a pena assistir e o com o protagonismo de Peter (Tom Holland) alcançando um nível de identificação ainda maior com o público. Ele vive dilemas e transformações com os quais a vida real nos infringe incansavelmente desde a criação do personagem por Stan Lee e Steve Ditko nas páginas de Amazing Fantasy #15. (Agosto 1962). O roteiro de Chris McKenna e Erik Sommers resgata essa essência das hqs. Algumas capas de quadrinhos do Homem-Aranha são recriadas neste filme, como a citada Amazing Fantasy #15 (primeira aparição do Homem-Aranha), The Amazing Spider-Man #134 (primeira aparição do Tarântula), The Amazing Spider-Man nº 221 (a batalha do Homem-Aranha contra Ramrod), The Amazing Spider-Man nº 345 (a batalha do Homem-Aranha contra Boomerang), The Spectacular Spider-Man nº 142 (a derrota do Homem-Aranha para o gangster Lápide) e Spider-Man Adventures nº 2 (a batalha do Homem-Aranha contra o Escorpião).

O filme deixa aparentemente de propósito algumas brechas como de que forma O Homem-Aranha salvou a vida do Justiceiro (Bernthall) e como se deu o primeiro encontro deles. É como se tivéssemos deixado deler uma hq anterior, mas nao prejudica a fluidez da narrativa. O pecad maior talvez seja a injustiça com o Hulk de Mark Ruffalo, sempre um coadjuvante de luxo nos filmes da Marvel, e que merecia filme solo. O antagonismo de Jean Grey (Sadie Sink) é o motor central da história e planta a semente que levará futuramente ao reboot esperado dos X-Men. A poderosa telepata (vai lembrar inadvertidamente a Eleven (Milly Bobby Brown) de Stranger Things e rende uma emocionante na mente de Peter com participação de Tia May (Marisa Tomei). Entre as demais participações Ned (Jacob Batalon) e MJ (Zendaya) cumprem funções específicas na trama com louvor nos lembrando de que os eventos aqui mostrados sao resultado de Homem-Aranha Sem Volta Para Casa (Spider-Man: No Way Home, 2021) e nos lembrando do custo emocional de nossas escolhas refletidas ninguém faz de Peter esse persoangem fascinante, mais maduro nesse filme e admirável em sua postura de assumir os próprios erros e procurar corrigi-los. Claro que o que mais vem depois temos que esperar pela próxima edição, ou seja, o próximo filme ja anunciado na cena pós crédito.