Adilson Santos

Lançada em fevereiro de 1986 pela Marvel Comics o X-Factor foi uma das revistas em quadrinhos mais importantes da franquia dos X-Men nos anos 80. Criada originalmente por Bob Layton e Jackson “Butch” Guice, a série nasceu com uma premissa ousada e gerou grandes reviravoltas na cronologia dos mutantes, ja que a premissa inicial era trazer a formação original dos X-Men. O problema é que dos cinco membros originais (apresentados em 1963), Jean Grey – a Garota Marvel – havia morrido em Uncanny X-Men #137 (setembro de 1980) no final da Saga da Fênix. Fera (Hank McCoy) e Anjo (Warren Worthington III) haviam atuado temporariamente nos Novos Defensores, Bobby Drake (Homem de Gelo) estava afastado dos holofotes e Scott Summers (Ciclope) tinha saído dos X-Men e casado com Madeline Pryor, com quem tivera um filho. Para que a formação clássica voltasse, a Marvel precisou resolver o problema da morte de Jean Grey. Para trazê-la de volta sem invalidar aquela história dramática, os roteiristas criaram um retcon (continuidade retroativa): foi revelado que a entidade Fênix havia imitado a forma e as memórias de Jean, enquanto a verdadeira Jean ficou guardada em um casulo de energia no fundo da Baía de Jamaica. A história da volta de Jean Grey começou, no entanto, nos titulos do Quarteto Fantástico e dos Vingadores, antes de levar o leitor a estreia do X-Factor. Esse retorno teve um custo dramático pesado: para integrar o X-Factor, Ciclope abandonou sua esposa na época, Madelyne Pryor, e seu recém-nascido filho (Nathan Summers), gerando tramas muito complexas e dramáticas nos anos seguintes. NO Brasil a equipe estreiou em Grandes Herois Marvel #30 (dezembro de 1990) passando a ser publicado regularmente em vários títulos da linha Marvel/Abril

Nas primeiras historias, a equipe se uniu sob o disfarce de uma agência de caçadores de mutantes. No entanto, o plano secreto deles era o oposto: o grupo resgatava jovens mutantes que não sabiam controlar seus poderes, treinava-os para usá-los com segurança e os ajudava a se reintegrar à sociedade. Bob Layton roteirizou os primeiros números focando no estabelecimento da agência e na dinâmica do grupo junto ao empresário Cameron Hodge, que mais tarde trairia o grupo. Nessa fase inicial surge o vilão Apocalipse, que se tornaria uma das piores ameaças aos mutantes. Logo depois, a roteirista Louise Simonson assumiu a revista por vários anos, acompanhada frequentemente por seu marido, o desenhista Walt Simonson. Sob o comando deles, a revista atingiu seu ápice crítico e comercial, cruzando com grandes eventos da época como o Massacre de Mutantes (Mutant Massacre) e A Queda dos Mutantes (Fall of the Mutants). Durante os eventos do Massacre de Mutantes, Warren Worthington III (o Anjo) tem suas asas mutiladas e aparentemente morre em uma explosão. Ele é salvo e transformado pelo vilão Apocalipse no Cavaleiro da Morte, ganhando asas metálicas e uma personalidade muito mais sombria, tornando-se o Arcanjo. .
Embora a fase inicial com os cinco fundadores tenha durado até X-Factor #70 (1991), a revista continuou por muitos anos. A partir da edição #71, sob o comando do roteirista Peter David, o título mudou totalmente de formato e se transformou em uma equipe governamental patrocinada pelos Estados Unidos liderados por Destrutor ( O irmão de Ciclope) e com a formação completada por Polaris, Mercúrio, Homem-Múltiplo e Guido/Strong Guy. Apesar de algumas passagens boas na fase Peter David, o X Factor inicial deixou suas histórias marcadas na memória dos fãs da Marvel até hoje.


