Adilson Santos

Entre os maiores heróis DC Comics não podemos deixar de lado o Lanterna Verde (Green Lantern), um heroi que é também mais de um já que vários personagens atendem por esse nome desde que Bill Finger e Martin Nodell criaram a primeira versão do herói para a revista All American Comics #22 (julho de 1940). Seu nome verdadeiro era Alan Scott, um engenheiro que encontrou um artefato alienígena na forma de uma lanterna com a qual forjou um anel capaz de solidificar qualquer objeto com sua luz. Nodell se inspirou no trabalho de um funcionário do metrô de Nova York, que orientava o tráfego dos trens com duas lanternas: uma de cor vermelha para parar os trens e outra de cor verde para liberá-los. Durante a era de ouro dos quadrinhos, Scott combateu o crime, ingressou na Sociedade da Justiça, casou e teve dois filhos com super poderes: Jade e Manto Negro. Quando em 1959 a editora reiniciou seu universo de heróis, somente Superman, Batman e Mulher Maravilha se mantiveram essencialmente os mesmos. Todos os demais heróis ganharam nova origem e visual, surgindo assim a Tropa dos Lanternas Verdes, uma força policial intergalactica mantenedores da ordem no universo.

Coube ao roteirista John Broome e o desenhista Gil Kane reinventar a mitologia do Lanterna Verde com Hal Jordan, um piloto de testes desprovido de medo, escolhido pelo alienígena Abin Sur, que chega ferido à Terra. Essa história começou em Showcase #22 (Outubro de 1959) integrando o início da era de prata dos quadrinhos, embebida de ficção científica. O personagem foi um sucesso, e logo ganharia uma serie própria intitulada: Green Lantern #1 a partir de julho-agosto de 1960. A partir de Green Lantern vol. 2 #76, em 1970, Danny O’Neill e Neal Adams revolucionaram os quadrinhos da DC Comics em uma série de histórias passadas na Terra onde os heróis enfrentam políticos corruptos, traficantes de droga e varias questoes sociais com profundo realismo, atípico para a época. A sequência de histórias transformou o gênero de super-heróis ao abandonar o foco em ameaças puramente fantásticas para discutir problemas reais e urgentes da sociedade norte-americana da época.

A premissa central é tão simples quanto genial: o Anel de Poder é a arma mais poderosa do universo, energizada a partir de uma bateria central noblonginquo planeta OA, lar dos Guardiões do Universo e capaz de materializar qualquer construção sólida imaginada pelo usuário. O único combustível necessário? Força de vontade e superação do medo. Uma das grandes sacadas da série é o fato de “Lanterna Verde” ser um título, e não um indivíduo isolado. Isso permitiu que diferentes personalidades enriquecessem a mitologia ao longo das décadas. Assim, alem de Hal Jordan fomos apresentados ao arquiteto e ex-fuzileiro naval John Stewart (Green Lantern #87, dezembro de 1971), o anti-herói arrogante Guy Gardner (Green Lantern #59, março de 1968) , o artista plástico Kyle Rayner (Green Lantern Vol 3 # 48, Janeiro de 1994), a norte-americana de descendência mexicana Jessica Cruz, primeira mulher terráquea da Tropa (Justice League Vol 2 #30, julho de 2014), o imigrante Libanês Simon Baz (Green Lantern Vol 5 # 0, setembro de 2012) e muitos outros.

Depois do advento de Crise nas Infinitas Terras, o herói se juntou a outros Lanternas em uma equipe erradicada na Terra e o titulo passou a chamar Tropa dos Lanternas Verdes recomeçando sua numeração. Uma grande mudança se deu depois do evento do Retorno do Superman, quando a cidade de Hal Jordan foi destruída levando o heroi a se rebelar contra a tropa. O arco de histórias intitulado Crepúsculo Esmeralda transformou Hal no vilão Parallax e introduziu o jovem Kyle Rayner como o único remanescente dos Lanternas Verdes. A situação continuou por vários anos até que o roteirista Geoff Johns e o desenhista Ethan Van Sciver trouxessem Hal Jordan de volta na excelente história Lanterna Verde: Renascimento (2004). A expansão da mitologia nos anos 2000, liderada pelo roteirista Geoff Johns, elevou o personagem a patamares épicos ao introduzir o Espectro Emocional. A cor verde (Vontade) passou a dividir o universo com a Raiva (Vermelho), Avarícia (Laranja), Medo (Amarelo), Esperança (Azul), Compaixão (Índigo) e Amor (Violeta). Essa mudança transformou as histórias do herói em uma grande ópera espacial, onde guerras cosmológicas refletem os conflitos psicológicos de seus protagonistas. Mais do que um protetor do setor 2814, o Lanterna Verde representa a ideia de que a coragem não é a ausência de medo, mas o triunfo sobre ele, seja no dia mais claro ou na noite mais densa.
