Adilson Santos e o Nossas Vozes lembram do talento de Sumara Louise. Apoie o Nossas Vozes.
Ariz, dubladora com 50 anos participando de filmes, novelas, desenhos, séries e propagandas. Desde 1973 emprestou seu talento com personagens marcantes como a a detetive Sabrina Duncan (Kate Jackson) em As Panteras, Cybill Shephard em A Gata & O Rato, todas personagens maduras, de temperamento forte. Entre 1980 e 1985 integrou o elenco de O Bem Amado, na Rede Globo, mas sem nunca ter deixado a dublagem. Durante muitos anos fez a Lucy Ewing (Charlene Tilton) em Dallas. A partir dos anos 2000, Sumara desacelerou sua carreira na dublagem quando assumiu a presidência da ANAD (Associação Nacional dos Artistas de Dublagem). Neste período, fora “agraciada” com o epiteto de “Dama da Dublagem Brasileira” por seu corpo de trabalho. Tive o prazer de ter conhecido e entrevistado a atriz e dubladora Sumara Louise.

Sua carreira começou em 1973, epoca em que conheceu a icônica dubladora Selma Lopes, que teria lhe dito “Você tem uma voz tão bonita ! Você já pensou em dublar ?”. O início dessa bela amizade a levou para a Herbert Ritchers e a um teste com o Mário Monjardim. Em uma época na qual ainda não existia curso de dublagem, Sumara começou observando feras do meio como André Filho, Juraciara Diácovo, Darcy Pedrosa, Nely Amaral, e outros. Enquanto gravava nos estúdios da Herbert Ritchers, um convite do diretor Régis Cardoso, a levou para a Rede Globo trabalhando na novela Coração Alado (1980 – 1981) e na série O Bem Amado (1980 – 1984). Mas logo voltou à dublagem, sua grande paixão. Fez pouca animação como a heroína Flutuadora no desenho do Galaxy Trio, da Hanna Barbera e a Hera Venenosa em Batman Animated Series. Entre séries e filmes, Sumara brilhou como a voz de Kate Jackson em As Panteras (1976), Charlene Tilton em Dallas (1979), Glenn Close em Atração Fatal (1987), Meryl Streap em As Pontes de Madison (1995), Cybill Shephard em A Gata & O Rato (1985), Kelly Le Brock em A Dama de Vermelho (1984), Darlene Love nos quatro filmes da franquia Maquina Mortífera (1987 a 1998), Catherine O’Hara em Os Fantasmas se Divertem (1989), Elizabeth Taylor em Disque Butterfield 8 (1960), Bette Midler em A Rosa (1979), Sally Field em Um Lugar no Coração (1984) e muito mais.
“Adorei fazer As Panteras (Charlie’s Angels). Lembro que usávamos um linguagem bem coloquial, e era ótimo ser parte de um trio de mulheres empodeiradas, como se diz hoje. Para a época eram bem avançadas e ditavam moda como era o cabelo da Jill Munroe (Farrah Fawcett) foi copiado por todos por muito tempo. Repetimos essa coloquialidade em A Gata & O Rato, o que era bem agitado porque tinha muito improviso e muito texto. A dinâmica da dublagem tem uma dinâmica bem diferente porque você vê, você escuta, você lê, você fala seus texto, você interpreta, tudo ao mesmo tempo. Em A Gata & O Rato não dava tempo para ler muito pois ao parar para ler, você automaticamente perdia algo. O Newton da Matta tinha muita experiência e me ensinou bastante. Já na animação há maior espaço para a criatividade.“

Ainda sobre A Gata & O Rato (Moonlighting) disse ” Havia muita sintonia sim entre o Newton e eu, e ela foi elevada ao grau máximo ali em A Gata & O Rato. A gente combinava muito, a gente se dava muito bem. Tínhamos admiração pelo trabalho um do outro. Tínhamos que nos virar com os limites técnicos, por exemplo gravámos apenas em dois canais de áudio e o segundo, muitas vezes não funcionava. Era uma coisa de saber fazer de primeira e de confiar no trabalho um do outro. Foi um sucesso e nos divertíamos muito. Eu gosto muito de comédia. “

Tive o prazer de ter conhecido e entrevistado esta atriz fabulosa. Sua voz como um canto lirico que embala nossa memória afetiva. Sem dúvida um tesouro entre nossas vozes.

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