Adilson Santos

A nostalgia alimenta a ficção com histórias maravilhosas como Tom Hanks em Quero Ser Grande (1988) ou Bruce Willis em Duas Vidas (2000). Voltar no tempo e consertar o que houve de errado é premissa recorrente no cinema e o filme estrelado por Leandro Hassum consegue o mesmo efeito, nos envolver e ter a vontade de poder fazer o mesmo. Na história Leonardo é um publicitário de 50 anos descontente com tudo em sua vida, principalmente sua relação com o pai, o policial aposentado Álvaro (Tony Ramos). Em sua vitimização, Leonardo nem percebe as intenções românticas de Carol (Mariana dos Santos), sua colega de trabalho e amiga de infância. Depois de uma forte discussão com o pai, Leo assiste a uma sucessão de slides de sua infância, que por mágica o leva de volta ao ano de 1986 quando aos 10 anos sofria bullying na escola. O interessante é que Leonardo encontra a si mesmo criança (Gabirel Gentil) e interage com ele assumindo o disfarçe de Abelardo, um suposto primo distante. Na casa em que morava revê o pai (Augusto Madeira) e a mãe (Regiane Alves), que no futuro morre de câncer como consequência do vício no cigarro. Na escola, Alelardo/Leo adulto passa a trabalhar na escola de seu alter ego jovem, assumindo a função de inspetor, ajudando sua versão do passado a enfrentar o bullying e descobrindo o amor recolhido da Carol jovem (Oli Bela). As situações que se seguem são hilárias como Abelardo de juiz de futebol na escola. O roteiro de Maurício Rizzo e Bíbi Da Pieve, a partir de uma história destes escrita junto com o astro Leandro Hassum, aproveita o que pode de uma época sem celulares em que crianças brincavam com Gênios e Falcon, se divertiam jogando Atari em um jurássico aparelho de TV com Bom-Brill na aponta da antena para melhorar a imagem. O clima da Copa de 1986 traz de volta a lembrança de uma seleção dos sonhos, que perdeu o campeonato mas não perdeu a aura de idolatria na memoria afetiva. O confronto de uma era menos tecnológica gera boas pinceladas no roteiro, que se por um lado se entrega aos clichês do gênero, por outro cumpre sua missão de entreter embalada por uma trilha de clássicos pop como a banda Metrô e Lulu Santos. Ao final, a vontade persiste de revisitar a doce infância e ainda mudar o futuro, e confesso já procurei minha foto.