CLÁSSICO NACIONAL | TROPA DE ELITE 2: O INIMIGO AGORA É OUTRO

Adilson Santos

Poucas sequências conseguem ser melhores do que o primeiro filme, e no caso de Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora é Outro, dirigido por José Padilha e co-escrito por ele com Braulio Mantonavi, o filme consegue ser ainda mais impactante que o filme original lançado três anos antes. Os acontecimentos de Tropa de Elite 2 ocorrem treze anos após o primeiro, mostrando o amadurecimento do Tenente-Coronel Nascimento (Wagner Moura), que lida com problemas com o filho Rafa (Pedro Van-Held), o crescimento do BOPE, conflitos entre policiais e milícias no Rio de Janeiro, e a corrupção nos altos escalões do poder. O diretor José Padilha faz do filme um alerta da ligação entre segurança pública e financiamento de campanha política.

Lançado em 8 de outubro de 2010 no Brasil, o filme se tornou o mais visto do cinema brasileiro em 7 de dezembro, com 11 milhões de espectadores, superando Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976). Em 2011, venceu 9 das 16 categorias do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, incluindo melhor filme, direção e ator (Wagner Moura). A narrativa se inicia com o Capitão Nascimento sofrendo um atentado, o que o leva a relembrar os eventos anteriores. Quatro anos antes, Nascimento e André Mathias (André Ramiro), do BOPE, atuam em uma rebelião no presídio Bangu I. Mathias mata o líder do Comando Vermelho, Beirada (Seu Jorge), e é afastado do BOPE, tornando-se bode expiatório, enquanto Nascimento é promovido. Diogo Fraga (Irandhir Santos), um professor de história e ativista de Direitos Humanos, se casa com Rosane (Maria Ribeiro), a ex-esposa de Nascimento e se elege deputado estadual. Do outro lado da lei, o Governador do Rio de Janeiro e seus aliados, incluindo o Major Rocha (Sandro Rocha), orquestram um falso roubo de armas para justificar uma invasão ao bairro Tanque e manipular as eleições. Mathias é reintegrado ao BOPE e lidera a operação, mas as armas não são encontradas e ele é assassinado por Rocha, defragando uma série de situações que custarão a carreira de Nascimento. O diretor José Padilha afirmou que este filme forma sua trilogia sobre violência urbana nas principais cidades brasileiras. O primeiro, Ônibus 174 (2002), foi um documentário destinado a explicar como a indiferença do estado em relação às pessoas pobres pode levar à formação de criminosos violentos. O segundo, Tropa de Elite (2007), com o objetivo de explicar como a indiferença do estado em relação às agências policiais geralmente resulta em brutalidade policial e policiais corruptos. E, finalmente, Tropa de Elite 2 trata das razões por trás da escolha do estado de ignorar os pobres e a polícia. O filme, assim como seu predecessor, é baseado nos personagens do livro Elite da Tropa, de 2006 escrito por André Batista e Rodrigo Pimentel (ex-capitões do BOPE ) e Luiz Eduardo Soares (antropólogo).

Quando Nascimento entra no restaurante para confrontar Guaracy (Adriano Garib), o homem vestindo a camisa listrada azul e branca que se levanta para parabenizá-lo é o próprio Rodrigo Pimentel, em quem o personagem Nascimento se baseia. Outro personagem baseado em alguém ligado aos fatos mostrados é o personagem de Diogo Fraga (Irandhir Santos) inspirado na figura do deputado estadual do Rio de Janeiro, Marcelo Freixo. Na primeira cena com Diogo Fraga, onde ele está dando uma palestra em uma sala de aula, o verdadeiro Marcelo Freixo pode ser visto sentado na primeira fila. Na época, Freixo era um parlamentar brasileiro, servindo como presidente do Conselho de Direitos Humanos. Já Fortunato (André Mattos), o deputado e apresentador de TV sensacionalista que usa bordões populares lembra figuras midiáticas da política fluminense, como o falecido apresentador e político Wagner Montes. Os dois filmes Tropa de Elite formam um relato impactante, e ainda atual de um retrato triste da sociedade brasileira.

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