HQ | AS GRANDES AVENTURAS DE TEX – A MORTE DE LILITH

Leandro Banner

Publicada originalmente em 1969 nas edições #103 a 106 de Tex, A Morte de Lilith permanece como uma das histórias mais importantes e emocionais da longa trajetória do ranger criado por Gian Luigi Bonelli. Publicada algumas vezes no Brasil em preto e branco pela Vecchi e pela Mythos, a sequência é finalmente reunida no Brasil, salvo engano, pela primeira vez em cores, pela Mythos Editora no primeiro volume de AS GRANDES AVENTURAS DE TEX – PRIMEIRA TEMPORADA, de 2019 (uma excelente coleção que objetivava fazer exatamente o q seu nome sugeria, apresentar as grandes aventuras do ranger)representando não apenas um clássico do faroeste italiano em quadrinhos, mas também uma das narrativas definitivas sobre vingança, perda e justiça dentro do universo bonelliano.

O roteiro de Bonelli impressiona pela construção dramática. Diferente de muitas aventuras tradicionais de Tex, aqui existe uma forte carga emocional que humaniza o personagem de maneira rara. A trama, contada em boa parte através de flashbacks, revisita a morte de Lilith, esposa navajo de Tex, vítima indireta da crueldade de comerciantes inescrupulosos que espalham cobertores contaminados com varíola entre os indígenas. O tema é triste, pesado e trágico, mas Bonelli conduz a narrativa com enorme habilidade, equilibrando ação, tensão e sentimento sem jamais perder o ritmo aventuresco característico da série. Mais do que uma simples história de vingança, A Morte de Lilith aprofunda a personalidade de Tex Willer. O herói normalmente retratado como implacável e quase mítico ganha contornos mais humanos, movido pela dor e pelo senso de justiça diante de uma tragédia pessoal devastadora. O roteiro também funciona como um poderoso retrato do preconceito e da violência sofrida pelos povos indígenas no Velho Oeste, algo recorrente nas melhores histórias da série.

A arte de Aurelio Galleppini — o lendário Galep — é outro grande destaque. Seu traço clássico confere enorme força visual à narrativa, especialmente nas cenas dramáticas e nos confrontos armados. Mesmo dentro de uma estética típica dos quadrinhos italianos dos anos 1960, os desenhos mantêm impressionante dinamismo e clareza narrativa. Galep domina a ambientação do Oeste americano, criando paisagens áridas, aldeias indígenas e sequências de ação extremamente cinematográficas. Sua representação de Tex carrega imponência e melancolia na medida certa para uma história tão emocional. A edição da Mythos merece elogios especiais. O acabamento em capa dura e o papel offset de ótima gramatura valorizam bastante a leitura e transformam o volume num item de coleção digno da importância da obra. O formato também ajuda a destacar ainda mais a arte de Galep, oferecendo excelente reprodução das páginas originais. Outro diferencial importantíssimo é o excelente texto introdutório de Júlio Schneider, que contextualiza historicamente a produção da história, a importância da personagem Lilith dentro da mitologia de Tex e o impacto que essa aventura teve entre os leitores ao longo das décadas. É um material complementar que enriquece muito a experiência e a leitura, especialmente para novos leitores interessados em compreender a relevância da obra dentro do universo Bonelli.

O prestígio de A Morte de Lilith continua tão forte que a história saiu novamente pela Panini Comics Brasil na nova coleção Biblioteca Tex, em formato americano, com o título Juramento de Vingança, demonstrando como a aventura permanece essencial mesmo após mais de cinquenta anos de sua publicação original. O reconhecimento contínuo da obra reforça seu status de clássico absoluto de Tex e um dos pontos mais altos do faroeste europeu nos quadrinhos. No final das contas, seja a edição da Panini ou da Mythos, A Morte de Lilith é uma das melhores e mais essenciais histórias do ranger bonelliano, valendo acrescentar que foi a história que arrebatou definitivamente este escriba e o transformou num grande fã do personagem. Altamente recomendável!😁👏🏻

Vida longa e próspera e até a próxima!🖖🏻

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