STAR TREK 60 | JORNADA NAS ESTRELAS V A ÚLTIMA FRONTEIRA

Adilson Santos

Em 1986, quando assinou para Star Trek IV: A Volta Para Casa, William Shatner incluiu uma cláusura em seu contrato garantindo que o intérprete do Capitão Kirk assumiria a função de diretor também. Na época, o roteiro de David Loughery, Harve Bennett e William Shatner, se tornou o filme de menor prestígio na franquia apesar de uma bilheteria regular no valor de US$ 49 milhões no mercado americano, chegando a US$ 63 milhões mundialmente. A crítica da época massacrou o filme, como o renomado Roger Ebert que chamou a produção de uma história sem rumo com um roteiro ilógico, desenvolvimento de personagens incoerente e ausência de um arco narrativo claro. Nem tanto na verdade. O filme tem suas falhas narrativas, principalmente pelo seu plot audacioso em que a Enterprise viaja a um recanto distante da galáxia para encontrar Deus. Na história, a recém-reformada Enterprise é retirada do estaleiro durante as férias da tripulação quando um vulcano renegado chamado Sybok (Lawrence Luckinbill) toma três embaixadores como reféns em Nimbus III, o Planeta da Paz Galáctica. Esse evento também atrai a atenção de um capitão klingon que quer se destacar e se propõe a perseguir a Enterprise. O exército desorganizado de Sybok captura a Enterprise e a leva em uma jornada até o centro da galáxia em busca do Ser Supremo. Sybok usa suas habilidades vulcanas para controlar a vontade da tripulação, vindo a enfrentar Kirk, que para sua surpresa descobre que Sybok é meio-irmão de Spock. Este seria originalmente chamado de Zar e, nos primeiros rascunhos, não teria relação com Spock. Harve Bennett criou o relacionamento familiar Spock-Sybok para fortalecer o raciocínio de Spock em relação às suas ações relacionadas a ele. William Shatner se opôs à ideia, achando que isso era muito enigmático e muito parecido com um enredo de uma novela, mas acabou cedendo. O roteiro se tornou o mais intimista da franquia com Sybok despertando lembranças reprimidas daqueles que alega querer ajudar. DeForest Kelley entrou em reclusão depois de filmar a morte do pai do Dr. McCoy, porque o ator estava profundamente emocionado. Outra ideia modificada dos primeiros esboços do roteiro, Spock e McCoy se juntriam a Sybok. Leonard Nimoy e DeForest Kelley se opuseram, dizendo que seus personagens nunca trairiam o Capitão Kirk e Gene Roddenberry concordou.
Sir Sean Connery foi a primeira escolha para interpretar Sybok, mas o ator estava filmando Indiana Jones e a Última Cruzada (1989), assim o mítico planeta Sha-Ka-Ree foi nomeado em sua homenagem. O ator teatral Lawrence Luckinbill ficou com o papel, sendo o genro da vida real de Desi Arnaz e Lucille Ball, cuja empresa Desilu Productions produziu as duas primeiras temporadas de Jornada nas Estrelas (1966). A produção do filme enfrentou outros problemas como a mudança da equipe de efeitos visuais do filme, já que não foram feitos pela ILM ocupada trabalhando em Os Caça-Fantasmas 2 (1989) e Indiana Jones e a Última Cruzada (1989). Isso atrapalhou muito o final do filme, O lançamento do filme nos cinemas também foi bem atribulado chegando ao público na mesma época que outros blockbusters daquele verão americano como Batman, Indiana Jones & A Última Cruzada, Máquina Mortífera 2 e outros. Apesar de tudo, o filme se firma como uma curiosa incursão da franquia por temas como a lealdade do trio Kirk-Spock-McCoy, como a fé em um ser criador e terminando com reunião em volta de uma fogueira. Não era a última fronteira, mas o melhor ainda estaria por vir no filme seguinte.

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