GALERIA DO TERROR | O SOLAR MALDITO & A QUEDA DA CASA DE USHER

Adilson Santos

O sucesso da versão de Mike Flanagan para o obra de Edgar Allan Poe (1809-1849) tem sido admirável por reintroduzir as obras do clássico autor para toda uma nova geração. De fato, Flanagan consegue extrair a essência de Poe potencializando suas palavras. Contudo, a saga da família Usher já foi adaptada outras vezes. Em 1928, o francês Jean Upstein (1897-1953) tomou várias liberdades com o livro de Poe, mas produziu um filme curioso que entrou como um dos favoritos do diretor japonês Akira Kurosawa (1910-1998). Após algumas versões menores realizadas na década de 50, o produtor e diretor Roger Corman realizou uma série de adaptações de Poe, sete das quais estreladas por Vincent Price (1911-1993) como A Queda da Casa de Usher, rebatizada por aqui como O Solar Maldito, e que teve roteiro de Richard Matherson (Eu Sou a Lenda).

Na história, o jovem Philip Wintrop (Mark Damon) vai de Boston para visitar sua noiva Madeleine Usher (Myrna Faher) na mansão da família dela. Lá conhece o irmão dela Roderick Usher (Price), e vem a descobrir que a família sofre uma maldição há gerações. Roderick se opõe violentamente aos planos de casamento da irmã e usa todos os meios macabros à sua disposição para que ela não se case, e assim não dê continuidade ao sangue dos Usher. A produção é muito requintada com cenografia exuberante de Daniel Haller que imprime na tela um clima angustiante e claustrofóbico, além de uma criativa sequência de pesadelo que usa brilhantemente a estética expressionista. Uma pérola do gênero na década de 60, não disponível no streaming mas que mereceria ser revisto. Disponível na Darkflix.

A Queda da Casa de Usher ganhou um remake em forma de minissérie lançada pela Netflix em 12 de outubro de 2023, criada pelo renomado diretor de terror Mike Flanagan (A Maldição da Residência Hill). A trama atualiza o conto clássico de Edgar Allan Poe de 1839 transformando os irmãos Roderick (Bruce Greenwood) e Madeline Usher (Mary McDonnel) em magnatas corruptos de um império farmacêutico (a Fortunato Pharmaceuticals) A fortuna da família foi construída com um analgésico altamente viciante, servindo como uma crítica velada à crise dos opioides nos Estados Unidos e a casos reais como o da família Sackler. A minissérie integra elementos de O Corvo e O Barril de Amontillado à narrativa principal como uma grande homenagem ao autor. Disponível na Netflix.

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