Adilson Santos
O roteirista e diretor Robert Eggars (A Bruxa) já firmou seu nome entre os melhores realizadores de filmes de terror, recriando todo o clima assustador perdido pelas reinvenções dos mitos do gênero. Eggers já havia alcançado resultado notável com A Bruxa (2021) e seu virtuosismo narrativo alcança a perfeiçãõ com o remake de Nosferatu, tarefa bastante hercúlea por se tratar de um dos pilares do expressionismo alemão, realizado por F. W. Muranu em 1921 e diluído por Werner Herzog e sua versão igualmente admirável em 1979. Eggers consegue recriar a atmosfera de mistério e terror com sobriedade admirável, sem jamais se entregar a excessos. O Conde Orlock, vivido por Bill Skarsgard (It A Coisa), ganha um visual diferente de seus antecessores, e para não ficar refém desse impacto, o diretor consegue hábilmente driblar a expectativa do público mostrando o essencial, sombras e uma presença fantasmagórica gradativa com a história contada, usando tal qual Spielberg em Tubarão (Jaws, 1975) a estratégia de fazer do jogo de câmera um elemento vital para que o vampiro produza na hora certa o impacto necessário. Lily-Rose Depp é Ellen Hunter (Depp), uma jovem na Alemanha do século XIX, perseguida pelo antigo vampiro da Transilvânia (Skarsgard). Nicholas Hault interpreta Thomas, marido de Ellen e agente imobiliário. O elenco ainda traz Aaron Taylor-Johnson, Emma Corrin, Ralph Ineson, Simon McBurney e Willem Dafoe, este explodindo na tela com sua persona tão insana como genial na persona do antagonista do vampiro. O filme é uma boa pedida para o clima de Halloween do mês de outubro, disponível desde a última quinta pela Netflix.