CLASSICO NACIONAL |  CIDADE DE DEUS NA NETFLIX

Adilson Santoa

Um dos maiores sucessos do cinema nacional após a retomada foi inspirado no livro de Paulo Lins sobre a comunidade que dá nome ao filme. Foram dois anos desenvolvendo a produção que teve a direcao de Fernando  Meirelles (Menino Maluquinho 2, Domésticas, o Filme) até chegar no Festival de Cannes em que  teve sua pre estreia mundial, um feito extraordinário em uma epoca de grandes desafios para que o cinema nacional reconquistasse o público e a crítica. O filme arrrecadou cerca de US$ 30,6 milhões em todo o mundo. O filme conta a história de Buscape (Alexandre Rodrigues),  um jovem pobre, sensível e negro que cresce na favela da Cidade de Deus, no Rio de Janeiro, a partir dos anos 1960 até o início dos anos 1980. Ao seu lado Dadinho,  que na vida adulta se torna o temido e violento chefão do tráfico Zé Pequeno (Leandro Firmino). Amedrontado pela criminalidade ao seu redor, Buscapé encontra na fotografia uma forma de registrar o cotidiano da comunidade e escapar do destino trágico reservado a muitos de seus amigos. Quem entra na sala escura não esquece a expressão dos garotos de armas na mão e sempre preparados para a execução pela polícia ou pelos traficantes – mais que uma interpretação, uma vivência, um reflexo da própria realidade. Fernando Meirelles queria que o elenco fosse composto por pessoas que nunca tivessem atuado antes e por atores profissionais que não fossem muito conhecidos. Um desses atores era Matheus Nachtergaele, a quem Meirelles havia visto em uma peça teatral. Enquanto Meirelles trabalhava no roteiro, porém, Nachtergaele de repente se tornou uma grande estrela no Brasil após estrelar o filme de sucesso O Auto da Compadecida (2000). Meirelles ficou um pouco decepcionado no início, mas Nachtergaele prometeu que se fundiria tão completamente com o papel de Sandro Cenoura que sua fama não tiraria o foco do filme. Ele chegou a se mudar para a verdadeira Cidade de Deus, onde morava a maior parte do elenco, e ficou lá por três meses para se preparar para o papel. Os diretores e produtores do filme criaram posteriormente a série de TV Cidade dos Homens (2002), que contou com alguns dos mesmos atores e o mesmo cenário de Cidade de Deus. A série foi assistida por 35 milhões de telespectadores no Brasil e teve quatro temporadas, mas apresentava um tom mais leve do que o filme Cidade de Deus. Disponivel na Netflix.

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