GALERIA DO TERROR | PECADORES  CHEGA À NETFLIX

Adilson Santos

O roteirista e diretor que fez Creed – Nascido Para lutar (2015), Pantera Negra (2018) e Pantera Negra: Wakanda Para Sempre (2022) surpreendeu o público ao se valer do tema do vampirismo, já muito desgastado por múltiplas reinvenções, e transformá-lo em um entretenimento com conteúdo. A história dos irmãos Smoke e Stack, papel duplo do sempre excelente Michael B. Jordan,  que voltam à sua cidade natal com o objetivo de reconstruir a vida e apagar um passado conturbado. Porém esse trauma volta a atormentá-los quando uma força maligna passa a persegui-los, trazendo para a superfície medos e traumas. Esse mal busca tomar conta da cidade e de todos os cidadãos, obrigando-os a lutar para sobreviver. Embora muitos tenham visto ecos de Um Drink no Inferno (From Dusk To Dawn,1998), o filme de Ryan Coogler tem personalidade própria. A figura dos vampiros funcionam como um catalisador para questões como o racismo, herança musical, vida e claro morte. O filme usa elementos do gênero terror, mas não se limita e estes, criando um eficiente recorte espaço-temporal do Mississipi nos anos 30 e da aura jazzística que convivia com a pobreza, com a violência e a ambientação inóspita do sul dos Estados Unidos. O roteiro mostra como a morte se espalha quando a comunidade é invadida por forças externas, e o vampiro é aquele que se introduz no meio para se alimentar de todos, explorar o que era vida e alegria. A cenografia é primorosa e a trilha sonora um esplendor, conectados à perfeição com o roteiro original do próprio Coogler, um notável mérito em uma Hollywood entregue a franquias pouco ou nada criativas se comparado ao que Pecadores traz. Claro que nada disso apaga o valor da atuação de Michael B. Jordan e do elenco de coadjuvantes que inclui Delroy Lindo, Hailee Steinfeld, Jack O’ Connell e o novato Miles Caton. O filme quebrou o recorde de indicações ao Oscar, que antes era de A Malvada (1950) com 14 indicações, igualada com Titanic (1997) e La La Land (2016) ganhando os prêmios de melhor roteiro original, melhor trilha sonora original, melhor fotografia e melhor ator para Michael B. Jordan. Público e crítica aplaudiram confirmando o sucesso do filme, reflexo de que o público deseja é uma história bem contada, que não seja de todo inédita, mas que saiba injetar na tela o efeito que somente uma boa história consegue.

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