Adilson Santos

Em época de eleição no momento é bastante curioso a historia de Sobrevivência (Animals), 6° filme dirigido por Ben Affleck. A história acompanha Mark Kimball (Ben Affleck), um influente candidato independente à prefeitura de Los Angeles, cuja campanha é pautada na promessa de honestidade e mudanças políticas. Quando seu filho Denny, é sequestrado, Mark se vê em uma situação desesperadora ja que todo seu dinheiro foi investido na campanha eleitoral, Mark e sua esposa Abigail (Kerry Washington) têm poucas horas para levantar o valor astronômico do resgate, o que só conseguem quando entra em cena a misteriosa e austera Dayle Burton (Gillian Anderson). O sequestro traz à tona revelações de segredos aue ameaçam a união fo casal. Em um plot teist prematuro, revela-se que o filho do casal esta seguro e que os sequestradores levaram por engano Hector (Jacob Estrada), filho do namorado mexicano da empregada da casa. Nesse ponto o roteiro toca em duas questões: a imigração de latinos sob constante vigilância dos agentes do ICE, e a manipulação sórdida que transforma um candidato azarao em defensor da população Latina. A manipulação obvia da imagem de uma figura como Mark Kimball aponta caminhos narrativos extremamente interessantes, mas o que decepciona é que fica tudo superficial em favor de um desenrolar bem raso. Matt Damon estava escalado para estrelar o filme mas precisou se desligar do projeto por conflito de agenda com as filmagens de A Odisséia. Affleck, que é amigo de longa data de Damon, assumiu o papel de protagonista. O longa foi livremente inspirado no clássico japonês Entre o Céu e o Inferno (1963), de Akira Kurosawa, o que demonstra que muito mais poderia ser feito na história que assim como todo discurso político diz muito mas nao fala nada.