Adilson Santos: Para começar a segunda-feira com risadas.

Em alguns casos raros remakes conseguem superar o filme original. A história de Dois Farristas Iresistiveis (Bedtime Story), originalmente feita em 1961 com David Niven e Marlon Brando, dois escroques juntam esforcos inicialmente para dar golpes em mulheres ricas mas acabam se tornando rivais na pilantragem. Quando Frank Oz fez o remake estrelado por Michael Caine e Steve Martin, este recebeu permissão para improvisar à vontade enquanto Caine deveria manter o ar sério e aristocrático. E no caso da icônica cena do irmão “especial” de Lawrence Jamieson (Michael Caine), ele arranca altas somas de dinheiro de mulheres ricas usando o inesquecível Ruprecht (interpretado brilhantemente por Steve Martin), como uma firma de se livrar de um compromisso de casamento. A sequência tornou-se uma das sequências mais engraçadas da história do cinema. Embora o roteiro já trouxesse piadas absurdas — como o garfo com uma rolha na ponta para evitar que ele se machucasse —, boa parte dos trejeitos físicos, olhares e barulhos bizarros de Ruprecht foram totalmente improvisados por Steve Martin no set.

A ideia de usar o tapa-olho, os dentes falsos ligeiramente desalinhados e o figurino desleixado foi refinada em conjunto com Steve Martin para criar o maior contraste possível com a elegância extrema do personagem de Michael Caine, que confessou em entrevistas que gravar aquela sequência de jantar foi um dos maiores desafios de sua carreira. Ele precisava manter a postura aristocrática, séria e impassível de seu personagem, enquanto Steve Martin, a poucos centímetros dele, gritava, batia panelas e pedia para ir ao banheiro de forma grotesca. Caine arruinou diversos takes por cair na gargalhada. O nome original do personagem em inglês é Ruprecht (comumente pronunciado ou adaptado como Ruptect em algumas exibições e dublagens no Brasil). Ele faz alusão ao Knecht Ruprecht (Servo Ruperto), uma figura do folclore germânico que atua como um assistente sombrio de São Nicolau, responsável por punir as crianças malcriadas — o que se encaixa perfeitamente no plano de Lawrence de usar o “irmão” para assustar e afugentar as pretendentes ricas. Uma sequência hilária que nem mesmo a razoável terceira versão intitulada As Trapaceiras (2019) conseguiu igualar.