CRÍTICA | O BOSQUE SELVAGEM

André Azenha

Eu saí feliz do cinema depois de assistir ao O Bosque Selvagem (Wildwood). Que animação espetacular! Um trabalho impressionante de criatividade, técnica e imaginação que mostra a força do cinema feito artesanalmente. Produzido pela Laika, estúdio de Coraline e O Segredo dos Alquimistas, o longa é dirigido por Travis Knight, de Kubo e as Cordas Mágicas, e adapta o livro de Colin Meloy, ilustrado por Carson Ellis. A dinâmica da história lembra A Viagem de Chihiro, a franquia Harry Potter e o próprio Coraline. Uma criança deixa o mundo real para entrar numa realidade mágica. Aqui, vê seu irmãozinho bebê ser sequestrado por corvos e parte para resgatá-lo num bosque proibido. Lá, descobre um mundo extraordinário, habitado por animais falantes, criaturas misteriosas e diferentes povos em conflito. E que espetáculo visual! O design de produção, assinado por Nelson Lowry, é magnífico: cenários, figurinos, texturas, objetos… tudo impressiona pela riqueza dos detalhes. A fotografia de Chris Chapman valoriza ainda mais esse universo, construído com a técnica do stop-motion, em que bonecos são movimentados e fotografados quadro a quadro. A trilha sonora de Dario Marianelli, vencedor do Oscar, é de uma inspiração belíssima, e as canções com influências folk combinam perfeitamente com essa atmosfera de fábula medieval ligada à natureza e às tradições populares.

O elenco original de vozes também se destaca, especialmente Angela Bassett como a imponente águia general e Mahershala Ali, que interpreta Brenda, o líder dos bandidos (bandido entre aspas, pois ele atua mais como tipo um Robin Hood). Agora, um aviso importante: não é uma animação para crianças pequenas. O que começa como uma aventura fantástica vai ficando cada vez mais sombrio, até desembocar numa batalha aérea digna de O Senhor dos Anéis, com cenas bastante violentas. O roteiro aborda questões delicadas como a maternidade, perda, relações familiares, e os extremos a que alguém pode chegar pelo desejo de ter um filho. São mais de duas horas de projeção e, sim, há momentos em que o excesso de personagens e acontecimentos pesa no ritmo. Mas o resultado compensa, pessoal. O Bosque Selvagem é uma fantasia visualmente deslumbrante, com personagens carismáticos, uma história envolvente e um universo tão rico que dá vontade de conhecer muito mais dele. Uma baíta experiência cinematográfica que eu recomendo.

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