Adilson Santos

Se Spielberg tornou a figura dos alienígenas cinematográficos amistosos como em Contatos Imediatos do 3º Grau (1978) ou inocentes como E.T – O Extraterrestre (1982), os anos 90 restauraram a vilania dos seres de outros planetas usando efeitos especiais de primeira e o requinte dos filmes catástrofes potencializados ao máximo. Foi assim que Independence Day (1996) chegou aos cinemas, dirigido por Roland Ememrich preenchendo a tela com gigantescas naves alienígena posicionadas sobre as principais cidades do planeta. Em poucas horas os extraterrestres iniciam um ataque coordenado e devastador, dizimando centros urbanos ao redor do mundo. Um grupo improvável de sobreviventes — que inclui um piloto da Força Aérea interpretado por Will Smith, um técnico de computação vivido por Jeff Goldblum e o presidente dos EUA interpretado por Bill Pullman — descobre uma forma de sabotar a rede dos invasores. Em 4 de julho (Dia da Independência nos Estados Unidos), as nações unidas lançam uma ofensiva final como única forma de derrotar os alienígenas e salvar a humanidade da extinção. Apesar da ação – em ritmo de montanha russa – criar um espetáculo divertido, o filme exagera no ufanismo ao centralizar o ponto alto do filme no dia da Independência com o mundo sendo salvo pelo presidente dos Estados Unidos, com um ar que remete à Bill Clinton, e direito a discurso edificante. O presidente Whitmore, de Bill Pullman, se tornou – ao menos na ficção – o primeiro comandante em chefe dos EUA a liderar as tropas em combate desde James Madison, que assumiu o comando de uma bateria de artilharia de retaguarda para cobrir a retirada do Exército dos EUA durante o ataque britânico a Washington, D.C., em 1814.

O filme ainda traz o ator Brent Spiner – o Data de Star Trek A Nova Geração – como o Dr. Brakish Okun, responsável pela Área 51. Os cineastas disseram que incluíram a Área 51 na história porque o filme pretendia celebrar a subcultura e mitologia de OVNIs/alienígenas, das quais a Área 51 é parte integrante. De acordo com o produtor/co-roteirista Dean Devlin, os militares dos EUA concordaram em apoiar o filme permitindo que a equipe filmasse em bases militares, consultando os atores que desempenham papéis militares, etc. No entanto, depois de saberem das referências à Área 51 no roteiro, eles retiraram seu apoio. O enredo pelo qual os alienígenas foram derrotados foi retirado de Guerra dos Mundos, de H.G. Wells. No livro, eles foram derrotados por bactérias e vírus; neste filme, eles foram derrotados por causa de um vírus de computador. O filme ainda imprimiu na mente do público a destruição da Casa Branca, cena que chegou a ser exibida na época para o próprio presidente Bill Clinton. O filme chegou a ter uma sequência inferior em 2016, mas foi o filme de 1996 que se tornou apesar do que foi dito um bom filme a ser revisto. Disponível no Disney +