CLÁSSICO NACIONAL | SONHO SEM FIM – 40 ANOS

Adilson Santos

Sonho Sem Fim (1986) nasceu do encontro entre o cineasta (cuja experiência no meio se limitava a curtas-metragens e à direção de fotografia de longas) e uma monografia dos pesquisadores Rudá de Andrade e Maria Rita Galvão sobre Eduardo Abelim (1900/1984), um dos pioneiros do cinema no Brasil. Escrito por Walter Lima Jr. e Nelson Nadotti e dirigido por Lauro Escorel Filho, o filme é estrelado por Carlos Alberto Riccelli, Débora Bloch e Imara Reis. Na história, com o desejo de se tornar um astro de cinema, o cineasta Eduardo Abelim (Carlos Alberto Riccelli) deixa o Rio Grande do Sul e se aventura no Rio de Janeiro, na década de 1920. Sem conseguir nada na então capital Federal, ele decide voltar para sua terra natal para realizar seu maior sonho: abrir sua própria produtora. O verdadeiro Eduardo Abelim foi uma fonte de inspiração para o roteiro, que se distancia assim de ser uma cinebiografia tradicional, principalmente pelo fato do diretor ter se recusado a conhecer Abelim, ainda vivo quando o roteiro era esboçado. Walter Lima Júnior, e Nelson Nadati colaboraram com Lauro Escorel no roteiro, que prefere se apropriar da figura de Eduardo Abelim a partir de 1924, acompanhando-o até o momento de empolgação da Revolução de 30, quando embarca com sua câmara no trem que leva Getúlio Vargas e seus seguidores para o Rio de Janeiro. Entre as duas datas, Edu vive a aventura de fazer cinema virando produtor, diretor, fotógrafo, ator. O elenco feminino é impecável: Imara Reis vive Flora, a prostituta itinerante que lhe revela os filmes do astro hollywoodiano Eddie Polo e que lança a moça azul do estrelato na cabeça do rapaz; Marieta Severo vive Lola, uma mulher madura, conquista de uma viagem de navio que, com cinco contos de réis, permite a Edu improvisar sua carreira de cineasta; Fernanda Torres, em breve participação especial, faz a cigana que, procurando ler a sorte de Edu, desperta seu interesse pela quiromancia, e Débora Bloch, no papel de Clara, atriz de teatro que ele lançará nas telas e aí tornará sua principal intérprete, amante não possessiva e fator de equilíbrio. O filme ganhou 4 prêmios no Festival de Gramado daquele ano: Melhor atriz coadjuvante para Imara Reis, melhor figurino para Rita Murtinho, melhor fotografia para José Tadeu Ribeiro, além de ter recebido Prêmio Especial do Júri para Lauro Escorel Filho. O filme fala da luta em perseguir um objetivo apesar das adversidades fazendo um recorte histórico de um tempo. Disponível pelo Belas Artes a La Carte.

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