CLÁSSICO REVISITADO | LABIRINTO: A MAGIA DO TEMPO

Adilson Santos

Alguns filmes são inexplicavelmente mal recebidos em seu lançamento, só para serem mais tarde redescobertos e alçados ao status de cult inegável. É o caso de Labirinto: A Magia do Tempo (Labyrinth), resultado da união dos talentos de Jim Henson (direção) e George Lucas (produtor). Henson, criador dos adoráveis Muppets, também é co-autor do roteiro ao lado de Dennis Lee e Terry Jones. A adolescente Sarah (Jennifer Connelly, então com 16 anos), se frustra por ter que cuidar do irmão Toby (Toby Froud), e em um momento de fúria invoca os duendes de seu livro favorito, para que estes levem a criança. Quando o Rei dos Goblins, Jareth (David Bowie), sequestra o bebê, Sarah tem 13 horas para atravessar um labirinto mágico e perigoso para resgatá-lo, iniciando jornada de amadurecimento em que o fim da infância chega impiedosamente e a faz enfrentar seus próprios medos. No Brasil, o filme foi lançado no natal de 1986 embalado por duas canções da trilha sonora que invadiram as rádios e as TVs, a romântica As The World Falls Down e a animada Underground, ambas promovendo o filme, com videoclips dirigidos por Steve Barron. As the World Falls Down apresenta cenas do filme, não apenas a cena do salão de baile, e inclui cenas filmadas especialmente com Hoggle (Shari Weiser) ao lado de Bowie. Já Underground, que pode ser ouvida durante os créditos finais, apresenta novamente muitos dos personagens deste filme em cenas filmadas especialmente com Bowie. 

Michael Jackson, Prince e Mick Jagger foram cogitados para interpretar o Rei dos Duendes, Jareth. Jim Henson preferia Sting, até que seus filhos o convenceram de que David Bowie seria a escolha mais adequada. Bowie queria fazer um filme infantil e gostou do conceito e do roteiro, então aceitou o papel. O filme é triunfo técnico com uma combinação impressionante de animatrônicos avançados, marionetes tradicionais e fantasias habitáveis. Hoggle consistia na atriz Shari Weiser dentro do traje, e quatro marionetistas liderados por Brian Henson controlando 18 motores dentro do equipamento frontal. Manipulando uma luva mecânica na mão direita, Henson controlou os movimentos da mandíbula de Hoggle e deu a voz. Outro marionetista forneceu mais movimentos labiais com outra luva. O terceiro marionetista usou uma alavanca de joystick na ponta do dedo para controlar os olhos e as pálpebras de Hoggle. O quarto usou um mecanismo semelhante para animar as sobrancelhas e um pedal para controlar a pele ao redor dos olhos de Hoggle. Os marionetistas tiveram que ensaiar juntos por semanas para antecipar os movimentos uns dos outros. Já as várias manobras que Jareth faz com as bolas de cristal (rolando-as pelos braços e nas mãos, entre outras) não são truques de câmera nem qualquer outro tipo de efeito especial. Na verdade, são realizadas pelo coreógrafo Michael Moschen, que é um malabarista experiente. Na verdade, Moschen estava agachado atrás de David Bowie, com seus braços substituindo os de Bowie. Ao contrário de uma apresentação típica dos Muppets, porém, ele não tinha uma tela de vídeo para ver sua performance. Em outras palavras, suas manipulações foram realizadas completamente às cegas.

No início da cena icônica de Magic Dance, o bebê Toby, que era filho de Brian Froud, o designer conceitual do filme, é visto chorando cercado por vários goblins. Na realidade, o bebê Toby Froud não estava nem um pouco assustado com nenhum dos bonecos usados e pareceu se divertir com a cena. A foto de um dos goblins fazendo barulhos e caretas bobas para fazer Toby rir foi uma reação genuína, inspirada em muitos casos em que eles precisaram que ele ficasse em silêncio e, na verdade, usaram alguns fantoches fora da câmera para acalmá-lo. Eles tiveram que esperar até que ele se cansasse e quiseram tirar uma soneca depois de filmar o número musical para fazê-lo chorar. O filme ganhou uma legião de fãs ao longo do tempo, incluindo colecionando rumores de um possível reboot ou sequência, o que ainda não se concretizou, mas como anuncia o subtítulo em português, é a magia do tempo.

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