Adilson Santos

Às vezes parece difícil que pareça algum roteiro original entre as produções seja de cinema ou streaming. No caso de O Jogo do Predator (Apex) colocar Charlize Theron caçada em uma floresta por um canibal psicótico traz uma pálida lembrança de filmes como Amargo Pesadelo (Deliverance, 1972) já que ambos contrastam a beleza de paisagens naturais com a brutalidade do homem. Claro que tal comparação não é proposital no roteiro, já que o filme de Charlize é um convencional jogo de gato e rato tendo a natureza selvagem como cenário diferencial. Em vários momentos a aventura de descer corredeiras de kayake, escalar montanhas ou correr na mata deixa a historia com gostinho de esporte radical até que surge na história Ben, um Taron Egerton (Rocketman) bem à vontade na pele de um psicopata. O diretor islandês Baltasar Kormakur extrai imagens de uma natureza bruta, ameaçadora, oscilando de montanhas íngrimes a ambientes claustrofóbicos como cavernas onde a sobrevivência é uma probabilidade menor. E é justamente neste ponto de belíssima fotografia que o filme apresenta seu ponto mais fraco. Á medida que Sasha (Charlize Theron) supera seu algoz, suas ações para superar o ambiente hostil fazem dela quase uma heroína da Marvel, perdendo o realismo e diluindo o terror psicológico que durante grande parte da narrativa conduz o público. O final do filme acaba perdendo força antes mesmo de chegar, e fica difícil se identificar com Sasha agarrada às escarpas e paredões gigantescos como se fosse uma versão feminina de Tom Cruise da franquia Missão Impossível. Uma vez que ela alcança sua saída, o resto é mero clichê, empolgando ao cinéfilo menos exigente mas divertindo na falta de algo melhor.