Adilson Santos

Agatha Christie é indubitavelmente A Rainha do Crime, autora de misterios de admirável criatividade que põe a cheque a frase feita que diz que o crime nao compensa. O mistério fez parte de sua natureza e de sua vida pessoal. Em 3 de dezembro de 1926, após uma discussão com o marido, Archibald, que pediu o divórcio para ficar com a amante, Agatha Christie saiu de carro de sua residência em Berkshire, na Inglaterra, e desapareceu. No dia seguinte, seu veículo foi encontrado abandonado em um barranco, com os faróis acesos, contendo seus pertences e documentos. Seu desaparecimento virou notícia de jornal sendo solucionado 11 dias depois quando a escritora foi encontrada no Old Swan Hotel, na cidade de Harrogate, onde havia se registrado sob o nome de Theresa Neele, o mesmo sobrenome da amante de seu marido. Agatha nunca explicou o que houve, mas seis meses antes Agatha lançou um de seus melhores livros O Assassinato de Roger Ackroyd (The Murder of Roger Acroyd) , que completa em junho seu centenário de lançamento. Foi o quarto livro tendo a frente o icônico detetive belga Hércule Poirot. Na história Roger Ackroyd, um cidadão rico e proeminente, paciente e amigo do Dr. Sheppard é morto enquanto investigava um caso de chantagem. Viúvo e sem descendentes, O Sr. Ackroyd criara seu enteado Ralph Paton, como se este fisse seu filho. Em meio uma rede de mentiras e fofocas maliciosas Poirot segue as pistas de uma assassino que acredita estar bem oculto por trás do jogo de sombras que se estende da mansão do Sr. Ackroyd até a bucólica cidade de King’s Abbott. A narrativa de Agatha é envolvente e usa de análise psicológica para estabelecer as falhas morais de seus suspeitos. Em março deste ano, a Globo Livros publicou uma edição comemorativa da obra, uma oportunidade de Ouro para conferir um mistério que coroa o talento de sua escritora, morta 40 anos atrás mas jamais esquecida.