NA TELINHA DA NETFLIX | A TRILOGIA O HOBBIT

Adilson Santos

Doze anos depois de O Hobbit  –  A Batalha dos Cinco Exércitos assim reentitulada depois do inicialmente anunciado título “Lá e de volta outra vez”. No ponto em que paramos em O Hobbit – A Desolação de Smaug, o dragão (voz de Benedict Cumberbatch) desperta, de depois de enfrentar os anões, redireciona sua ira contra a cidade do lago. Enquanto isso, o mago Gandalf (Sir Ian McKellan) jaz prisioneiro do misterioso Necromante. Assim o filme promete amarrar as pontas soltas que conduzirão a trilogia de O Senhor dos Anéis.  O fim da adaptação de O Hobbit significou na época o fim de um ciclo, missão cumprida de seu realizador, Peter Jackson, que assumiu a hercúlea tarefa de adaptar o universo imaginário do escritor sul-africano J.R.R.Tolkien, um dos grandes nomes da literatura mundial,  transpondo a riqueza de suas palavras em imagens. Tolkien criou a aventura de Bilbo Bolseiro como uma forma de entreter seu filho e a preencheu com detalhes históricos e geográficos que fixaram a sua Terra-Média no imaginário de gerações de leitores, até mesmo do ex Beatle John Lennon. O sucesso de Peter Jackson à frente dos três filmes de O Senhor dos Anéis e depois de seu prólogo, que quase foi dirigido por Guilherme Del Toro, reascendeu o brilho da saga do um anel e de uma galeria de personagens marcantes que se popularizaram como o elfo arqueiro Legolas (Orlando Bloom), o heroico Aragorn (Viggo Mortessen), além de coroar o trabalho de Andy Serkis, que retornará em breve à saga com um novo filme, e seu Gollum, um primor da tecnologia de captura de movimentos que abriu espaço para o uso crescente de CGI, cada vez mais impressionante. O triunfo dos filmes agitou os fãs da obra e criou novos leitores que redescobriram esse universo fantástico.

A adaptação de O Hobbit gerou, na mesma medida, críticas principalmente da decisão de transformar o livro em uma trilogia, esticando alguns eventos, adicionando material retirado de notas deixadas por Tolkien e, chegando até mesmo a criar uma personagem nova, a elfa Tauriel (Evangeline Lily), o que incomodou por ser um  obvio interesse de capitalizar em cima de uma obra que foi concebida de forma mais contida que O Senhor dos Anéis. Ainda assim, a empolgação foi contagiante desde o lançamento do primeiro capítulo O Hobbit – Uma Jornada Inesperada em dezembro de 2012. A alardeada batalha desse capítulo final envolverá anões, elfos, orcs e homens interessados na fortuna em ouro da montanha, com destaque para o personagem de Thorin Escudo de Carvalho (o ator inglês Richard Armitage) que encontrará seu destino final.

O encerramento deixará na memória momentos divertidos, movimentados, épicos como o ataque das aranhas (Tolkien as escolheu porque seu filho as odiava), o duelo de charadas entre Bilbo (Martin Freeman) e Gollum (Andy Serkis), o confronto com Smaug que ganha vida com a voz poderosa de Benedict Cumberbatch (O Sherlock da BBC). A rápida passagem de Galadriel (Cate Blanchett) , Elrond (Hugo Weaving) e Saruman (Sir Christopher Lee, único dos atores a ter conhecido pessoalmente Tolkien) coroa a ligação entre as duas trilogias que, apesar de tratar de magia, criaturas míticas e lugares fantásticos, trata de amizade, lealdade, ambição, diferenças raciais, elementos do mundo real usados metaforicamente e habilmente por Tolkien, que teria se inspirado no clássico poema épico Beowulf para criar sua narrativa, que por sua vez, inspirou outros seja na literatura, nos criadores de RPG, até mesmo George Lucas, o criador de Star Wars. Certamente, Tolkien há de ser revistado no futuro seja através de reprises, relançamento dos filmes de Peter Jackson em novas vídeo e formatos, ou até refilmagens gerações à frente, que nos levarão lá e … de volta outra vez !!

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