CLÁSSICO REVISITADO | STALLONE COBRA 40 ANOS

André Azenha

Em maio de 1986, chegava aos cinemas Stallone Cobra, um dos filmes mais cascas grossas daqueles anos e de ideias bem questionáveis. Dirigido por George P. Cosmatos, o mesmo de Rambo II – A Missão, e bancado pela Cannon Group, de Menahem Golan e Yoram Globus, o longa surgiu numa época em que Hollywood era povoada por personagens que faziam justiça com as próprias mãos. Antes dele vieram Perseguidor Implacável, com Clint Eastwood, Desejo de Matar, estrelado por Charles Bronson, e Taxi Driver, com Robert De Niro. Os anos 70 e 80 também foram marcados por tramas sobre gangues urbanas, caso de Os Selvagens da Noite e Ruas de Fogo, ambos dirigidos por Walter Hill. Cobra reúne essas duas tendências: o policial durão que ignora a burocracia e uma gangue, se bem que tá mais pra uma seita, que acredita estar criando uma nova ordem social. Marion Cobretti, ou simplesmente Cobra, é encarregado de proteger Ingrid, testemunha perseguida pela organização A Nova Ordem. A personagem é interpretada por Brigitte Nielsen, que já era esposa de Stallone. Os dois iniciaram o relacionamento durante as filmagens de Rocky IV. Alguns dos conceitos utilizados por Stallone no filme nasceram durante seu envolvimento com Um Tira da Pesada. Escalado inicialmente para estrelar a comédia policial, o ator deixou a empreitada após divergências criativas. Parte das ideias desenvolvidas naquele período acabaria reaproveitada em Cobra. Stallone atravessava o auge absoluto da carreira. Vinha dos sucessos gigantescos de Rambo II – A Missão e Rocky IV, ambos do ano anterior. Aliás, Rocky IV se transformou na maior bilheteria de toda a franquia Rocky. Orçado em 25 milhões de dólares, Stallone Cobra faturou aproximadamente 160 milhões em todo o mundo. Um sucesso de público, mas massacrado pela crítica. Em 1987, o ator voltaria a trabalhar com a Cannon em Falcão – O Campeão dos Campeões, que fracassou nas bilheterias. Mas o Mercury 1950 personalizado, os óculos escuros, os palitos de fósforo na boca e as frases de efeito fizeram de Marion Cobretti um dos personagens mais lembrados da carreira de Sylvester Stallone.

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