Adilson Santos

Há 40 anos o escritor norte-americano Robert Ludlum (1927-2001) lançou o segundo romance protagonizado pelo espião Jason Borne. A Supremacia Bourne é precedido por A Identidade Bourne (1980) e seguido por O Ultimato Bourne (1990), mas quando foi adaptado para as telas pelo roteiro de Tony Gilroy, o resultado foi um filme completamente diferente do romance original de Robert Ludlum, com quem compartilham quase apenas o título e os nomes dos personagens. Jason Bourne é um ex-assassino de elite da CIA e agente de operações secretas que, após perder a memória, embarca em uma busca perigosa para descobrir sua verdadeira identidade enquanto foge de seus antigos empregadores.Escrito como um romance de espionagem tradicional, tem um ritmo mais metódico, investigativo e rico em diálogos, com o personagem em uma idade mais avançada (por volta dos 60 anos). O filme foca em conspirações da CIA e na culpa, enquanto o livro adota uma trama geopolítica asiática de resgate envolvendo um impostor de Bourne. No livro, Jason Bourne, que também usa a identidade do professor David Webb, é forçado a abandonar sua aposentadoria nos EUA quando um impostor começa a matar figuras influentes no Extremo Oriente. Ele é coagido pelo governo a viajar para a Ásia e assassinar um alto oficial chinês para evitar uma crise internacional. Já no filme, a história se passa na Europa, onde o agente russo Kirill, a mando de um magnata do petróleo corrupto e de um membro renegado da CIA, arma uma cilada que incrimina Bourne pelos assassinatos e rouba fundos da própria agência. Outra diferença é o destino da personagem Marie, vivida pela atriz alemã Franka Potente, que no livro sobrevive a toda a provação, sendo fundamental para ajudar Bourne a se recuperar e resolver a trama. O diretor Paul Greengrass toma uma decisão chocante logo nos primeiros minutos do filme: Marie é tragicamente assassinada na Índia pelo agente Kirill (Karl Urban) estabelecendo um tom de vingança e luto que guia o resto da narrativa. O filme foi feito sem a intenção de fazer um terceiro filme depois deste; a cena final também pretendia encerrar o personagem Bourne e encerrar adequadamente a série. Quando O Ultimato Bourne (2007) recebeu luz verde, os escritores tiveram que escrever a história em torno desse epílogo. O final – com Bourne e Pamela Landy (Joan Allen) em Nova York – só foi imaginado duas semanas antes do lançamento do filme. Na cena final, Jason descobre que seu nome verdadeiro é David Webb e que ele nasceu em 15-4-71 (15 de abril de 1971). No entanto, conforme revelado em O Ultimato Bourne (The Bourne Ultimatum), esse era um código para dar a Jason um endereço importante em Nova York (415 East 71st Street). Seu aniversário real é 9 de setembro de 1970. O número também é o endereço da sede da “Treadstone 71″ no romance de Ludlum. Claro que O Ultimato Bourne também muda muito a trama original do livro, dividindo opiniões dos fãs da litertaura de espionagem.