CÍRCULO DE LIVROS | DOIS CLASSICOS DE LEÓN TOLSTOY

Adilson Santos

Completando 198 anos de seu nascimento, o escritor russo León Tolstoy (1828 – 1910) aegue como um dos maiores  romancistas de todos os tempos além de uma figura central do realismo russo. Autor de obras-primas universais como Guerra e Paz (1867) e Anna Karenina. (1875-1877)., ambos pilares da ficção realista. A força de sua narrativa vem justamente de representar personagens com os quais nos identificamos em suas trajetórias, personagens que sao moralmente falhos, mudam de ideia, erram e crescem como pessoas reais, destituído de qualquer maniqueismo.  Na literatura de Tolsloy não existem heróis perfeitos nem vilões puros além de embasar suas histórias em um pano de fundo histórico retratando a Rússia de sua epoca. Em Guerra e Paz mostra a nobreza e os camponeses durante a invasão de Napoleão em 1812. Para Tolstoy os grandes líderes nao são figuras heroicas e toda a grandeza humana reside no indivíduo e na forma como este resolve seus conflitos internos. Napoleão, por.exemplo, é representado no livro como um líder vaidoso e falível. O Czar Alexandre I tampouco traz uma aura idealizada apesar de seu imenso poder político e influência. O romance acompanha a invasão da Rússia pelo exército de Napoleão Bonaparte em 1812 e o impacto da guerra na vida do povo e da nobreza. A história foca na rotina, nos dilemas e nas transformações de cinco famílias aristocráticas, com destaque para os Rostov, os Bolkónski e o conde Pierre Bezúkhov, em meio a mais de 500 personagens, que passam pelas mais de 1500 páginas (edição da Companhia das Letras).

Em Anna Karenina, o autor expõe a hipocrisia da alta sociedade de Moscou e São Petersburgo. Os cenários refletem com exatidão as regras, as roupas e os valores da época. Na história, a protagonista é uma aristocrata respeitada, que viaja de São Petersburgo a Moscou para ajudar seu irmão, Stiva, cujo casamento com Dolly está em crise após uma traição. Na estação de trem, Anna conhece o conde Alexei Vronski por quem se apaixona perdidamente, iniciando um caso proibido que escandaliza a aristocracia. O marido de Anna, o burocrata Alexei Karenin, recusa o divórcio para evitar desonra pública e proíbe Anna de ver o próprio filho. A Companhia das Letras também fez uma excelente edição em Português da obra com tradução do renomado Rubens Figueredo e posfácio de Janet Malcolm uma das mais influentes ensaístas e jornalistas norte-americanas do século XX. O texto do autor é primoroso em expressar a ambiguidade humana seja através de Anna ou dos demais personagens. Um triunfo, enfim, da habilidade humana de viver apesar dos erros, de sobreviver aos infortúnios e sobretudo às vicissitudes da equação humana.

Deixe um comentário