Adilson Santos

Fantasia de Francis Ford Coppola, o cineasta de O Poderoso Chefão funciona como espécie de versão adulta da premissa de De Volta Para o Futuro (1985), concorreu aos Oscar de melhor atriz (Kathleen Turner), fotografia e vestuário. Aos 43 anos, Peggy Sue Bodell (Turner) está se divorciando de Charlie (Nicolas Cage), seu marido por mais de vinte anos e com quem teve dois filhos. Ao participar da reunião de 25º aniversário de sua formatura no Ginásio James Buchanan, as emoções de rever os antigos colegas e o próprio Charlie fazem-na desmaiar quando é eleita rainha da festa. Peggy Sue “desperta” em 1960, quando tinha 18 anos e namorava o futuro desajeitado marido. Mantendo a aparência de mulher na casa dos 40, ela procura se comportar como quem se acha na floração da juventude e protagoniza o próprio passado com a bagagem de quem já viveu a revolução sexual (entre outras) e experimentou os impactos do amadurecimento. Com suas turbulências emocionais e existenciais, decide fazer de tudo para alterar o passado para assim remodelar seu futuro, valendo-se para isso de sua vivência de pessoa madura. Os coadjuvantes incluem Don Murray e Barbara Harris como os pais de Peggy Sue, Leon Ames e Maureen O’Sullivan como os avós além de Catherine Hicks, Jim Carrey e Helen Hunt.
Peggy Sue – Seu Passado à Espera foi interrompida no meio da produção pois executivos do estúdio estavam insatisfeitos com a atuação de Nicolas Cage, sobrinho do diretor. Também foi um dos primeiros papéis de Sofia Coppola, filha de Francis e prima de Nick Cage, interpretando a irmãzinha de Peggy Sue. Sofia mais tarde dirigiria Kathleen Turner em As Virgens Suicidas (1999). Doze hits dos anos 50 percorrem a trilha-sonora, incluindo a canção-título de Buddy Holly e a ótima I Wonder Why de Dion & The Belmonts cantada pelo quarteto Nicolas Cage, Glenn Withrow, Harry Basil e Jim Carrey, este em início de carreira. O filme foi indicado a três Oscars: Melhor fotografia, melhor figurino e melhor atriz para Kathleen Turner, esta em sua única indicação para o prêmio da Academia. A trilha sonora ainda incluiu as composições de John Barry. Um filme nostálgico, que fala em segundas chances, um dos grandes desempenhos de sua estrela e na filmografia de Coppola.
